... o km 18 da Meia é o km 30 da Maratona...
Sim, eu participei da Meia Maratona de São Paulo, na semana passada. Foi minha sétima Meia Maratona, em três anos e pouco de corridas. E foi minha pior marca: conclui em 2h17m. Bem pior do que minha primeira Meia, em setembro de 2006, quando completei em 2h11m. E infinitamente pior do que minha melhor marca, no ano passado no Rio, com 1h59m. Mas eu sei onde, em parte, eu errei. Estava indo num ritmo razoável, pouco abaixo de 6 minutos por km, quando lá pelo km 6, eu vi um conhecido disparando na frente. Achei que poderia alcançá-lo e acelerei muuuuito. Ao perceber que não daria para chegar junto, reduzi. Foi o km mais rápido da prova. Mas paguei o preço nos dois quilômetros seguintes, muito mais lentos. Por volta do km 10, já estava melhor e achei que era só manter. Estava administrando, fazendo agora pouco mais de 6 minutos por km. A partir da segunda metade da prova, emparelhei a um corredor com um ritmo parecido ao meu e, sem falar nada, ditávamos o ritmo um ao outro. E isso foi bom. Quando eu ameacei andar, na subidinha da ponte de volta à USP, ele falou ‘vamos continuar, não para”. E seguimos. Eis que chega o km 18, já dentro da USP. Nessa hora pedi desculpas a meu companheiro anônimo de corrida e disse que iria parar. Quebrei. Por mais que a cabeça se esforçasse para dar incentivo, era o corpo se recusando a continuar. Andei por mais de um quilômetro. E conclui em um trotinho bem lento. Vários amigos - alguns muito mais experientes do que eu - também se lascaram no famigerado km 18, que eu acho que é o “muro” da Meia Maratona, assim como o km 30 é da Maratona. Nunca tinha me acontecido isso antes em uma Meia, mas creio que rolou também por causa da falta de treinos regulares e visando um objetivo específico. Apesar de tudo, eu gostei da prova. Estava com saudade de uma distância um pouco maior. O negócio é aprender com os erros e correr atrás dos prejuízos.
Escrito por Yara Achôa, jornalista às 22h42
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