... consigo meu equilíbrio cortejando a insanidade...
Ontem, em Aldeia da Serra, ao lado do Harry e da Luciana (da equipe imprensa), fiz um treino, uma espécie de “simulado” do que encontraremos pelo caminho no Desafio dos 600 K.  Harry (Webrun), Luciana (O2), Yara (Contra Relógio)
Nada a ver com volume - porque só corremos 12 K -, mas muito a ver com dificuldade. Manhã fria, perfeita para correr. E lá fomos nós. De cara (de cara mesmo!) uma subida do tipo “pede pra sair”. Cheia de gás ainda, venci a danada - não sem sofrer e pensar que se esse era o começo, o que viria pela frente... Um longo e tortuoso caminho veio pela frente. Asfalto, terra, pedriscos, subidas e descidas fortes. Ao longo do treino, todo tipo de pensamento invadiu a cabeça: “Será que eu vou agüentar?” “Será que eu vou agüentar isso três vezes por dia, durante três dias seguidos?” “Será que eu chego viva?” E outras tantas constatações: “Não basta querer e dar o seu melhor, você tem que ter pernas.” “Não basta querer e dar o seu melhor, sua cabeça tem que ajudar.” “Não basta querer e dar o seu melhor, tem que chegar viva.” Em alguns momentos, focada, corria muito rápido. Em outros, pedia desculpas a mim mesma e andava. Pensava também na equipe do Desafio dos 600K. Não dá para negar: rola pressão - pressão essa que, por enquanto, vem da minha cabeça. Por isso foi bom conversar com o Roberto, que está na equipe da Run&Fun. No final, a sensação é de uma felicidade extrema. Embora preocupada com minha performance, estava orgulhosa de mim.  Harry, meu grande amigo!
Pensa que acabou? Não. O treino tinha uma segunda etapa, na USP. Parada para um rápido reabastecimento na padaria e lá fomos nós pra USP, pouco mais de uma hora depois de termos vencido os morros de Aldeia. Minhas pernas pareciam pesar uma tonelada. Disse para o treinador que não agüentaria encarar uma Biologia naquele momento. Então parti para a volta de 8K. No asfalto, tudo é mais fácil - isso se você não tiver subido morros antes. Mas fui lá e fiz.  Eu tenho a força! Com a Apa (Diário de SP) e a Luciana
Disse para o André, treinador da Run&Fun que nos acompanhou, que achava que seria mais difícil do que correr uma maratona. Ele disse que parece difícil porque ainda não conheço e que assim que meu corpo se acostumar com essa ideia de correr em turnos, vai ficar mais fácil.  Harry, eu, Apa, Lu, Roberto: todos nos 600K
 Até o fotógrafo Tião Moreira apareceu!!!
Sei que passei a tarde muito bem, com aquela leve lembrança de esforço, principalmente nas coxas. Mas o tempo todo vinha o pensamento da prova. Porque a gente vai correr dois ou três trechos intercalados e nos intervalos estaremos dentro de uma van, acompanhando o corredor da vez. Ou seja, nada de se esticar, tirar uma soneca... Dormi mais cedo do que de costume, exausta. Se meu corpo tem que se acostumar com um novo tipo de treino, ele irá acostumar. Acordei e fui fazer uns 7K aqui perto de casa, com direito a subidas (não tão íngremes, mas subidas) e descidas. Fiquei satisfeita com o resultado, principalmente levando em conta o esforço de ontem. E já deu para notar que vai ser difícil manter o ritmo e a energia durante os três dias. Voltei para casa e o Antônio quis ir para o Ibirapuera. Ele de bike, queria que eu ficasse ao lado. Ou seja, tive de correr. Foram mais 3K. Agora à tarde eu dormi. Enquanto não estou dentro de uma van, com outros malucos rumo ao Rio de Janeiro, me dei a esse luxo. O desafio dos 600K será um grande desafio, pelo percurso, pelo trabalho em equipe, por desafiar meus limites. É isso aí: consigo meu equilíbrio cultivando a insanidade.
Escrito por Yara Achôa, jornalista às 19h51
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