... filosofando sobre pressão, subidas e descidas...
Há dias estou querendo escrever sobre o assunto. Desde o dia em que fiz o difícil treino em Aldeia da Serra – 12 km, mesclando estrada e trechos de terra. É que a corrida me faz traçar paralelos com o dia a dia. Eu pareço ser uma pessoa tranqüila, mas acho que é por fora. Me cobro muito (na corrida e fora dela, embora sempre procure diversão em tudo que faço) e boto uma pressão sobre mim mesma muitas vezes difícil de suportar. Nesse dia em Aldeia da Serra, treino para os 600K, percurso difícil, só feras ali correndo, a primeira coisa que me veio à cabeça é “não vou agüentar um esquema tão punk”. Antes que pensem que estou sendo negativa, que isso não é pensamento para um corredor às vésperas de um grande desafio ter, digo: não, não é pensamento negativo. Acho que o nome disso é cobrança interior. E sim, um corredor pode ter esse tipo de pensamento. Eu sou humana e posso tremer as pernas diante de uma dificuldade. Acho que nem foi o percurso que pesou, mas a comparação que comecei a fazer com os outros corredores. Pensava que queria ter mais tempo para treinar, que se tivesse uma vida mais tranqüila poderia estar em melhor forma... Taí a cobrança que me faço e muitas vezes não consigo minimizar – felizmente, no final do treino, conversando com outro corredor, me senti um pouco mais aliviada. Durante o treino vieram trechos bons e trechos ruins. Nos momentos mais duros, pensava em alguma coisa muito difícil que já tinha superado – e até em alguns malas que vivem atravancando minha vida. E pensava: se venci essas situações, por que não venceria essa subida? E pensei também que a vida da gente é assim: quantas vezes num dia você não dá de cara com uma tremenda montanha? E quantas outras vezes você não solta as pernas numa gostosa e veloz descida? Essa é a graça da vida: os altos e baixos, ter medo e ter coragem, avançar e recuar. Minha ansiedade está atingindo níveis altíssimos. Penso na pressão de ter uma boa performance. Por mais que todos digam: você vai correr bem, está preparada, sei que tenho meus limites. Penso também nas subidas e descidas – mas com isso, ao que parece, não terei muito que me preocupar (meus trechos são quase planos). Felizmente nos últimos dias tenho estado ao lado de pessoas que estão conseguindo tirar o melhor de mim, o que aumenta minha confiança Um pouco filosófico o post de hoje. Mas é o que se passa comigo nesse momento.
Escrito por Yara Achôa, jornalista às 18h34
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