... perdas e ganhos...

O segundo dia do Desafio dos 600K

Às 4h da manhã já estávamos de pé e na hora que comecei a escrever esse post eram 18h44. Estávamos na van, fazendo as contas para ver que hora chegaríamos.

Nesse segundo dia dos 600k, a equipe imprensa tem mantido o pique e os ritmos, mas os heróis de hoje foram o Harry (WebRun) e a Apa (Diário de SP). Harry por estar escalado para fazer quatro trechos, com uma alegria gostosa de se ver. Sua principal tática, motivo de curiosidade e diversão entre a equipe: ele dorme o tempo todo na van e acorda pilhado, como um Super Homem pronto para entrar em ação. E ele vai lá e arrasa.

A Apa, por sua vez, encarou uma subida insana. E ainda fez um tempo muito bom no trecho. Guerreira!

E eu... tive meu melhor e meu pior momento na prova. Nós estamos em último lugar, nossa intenção é viver a experiência do re
vezamento dos 600k e levar nossas impressões e reportagens aos nossos veículos - no meu caso a Revista Contra Relógio. Mas como já disse uma vez, não dá para esquecer que estamos em uma competição, que queremos fazer o melhor, que temos um compromisso com o grupo. E que queremos nos superar.

Correr sozinha, sem as pessoas que normalmente estão em volta nas provas, requer muita concentração. Lembre-se: estamos em último e quando fazemos as trocas nos pontos de revezamento, já estamos sozinhos. Tenho aprendido isso aqui. Meu primeiro trecho de foi o melhor que fiz no Desafio - e talvez um dos melhores de todos os tempos. Estava
focada. E ainda peguei chuva pelo caminho - uma sensação libertadora. Aproveitei cada gota. Conclui super feliz.

Mais adiante, tipo três horas depois, partir para meu segundo trecho. Um pouco mais difícil, com descidas e subidas. O treinador Mário Sérgio pediu que eu administrasse o ritmo. Comecei. Foi um trecho difícil para mim. Descidas e subidas. No final, uma subida não tão íngreme, mas longa... E vi que não conseguiria chegar no tempo previsto. Cheguei muito brava, quase chorando.

Não queria prejudicar a equipe. Não queria dar um passo atrás. Acho que tinha me entusiasmado com o primeiro trecho.

O dia passou e confesso que foi meio complicado digerir a coisa. Mas passou.

Às 19h os primeiros colocados da disputa dos 600k já haviam chegado ao hotel. A equipe imprensa, por sua vez, estava longe ainda. Já escuro e em um trecho sem acostamento, nosso treinador, em acordo com a equipe e a organização, decidiu que devíamos encerrar o dia ali, recebendo a punição que nos coubesse. E assim fizemos.

Ganhamos e perdemos. Lutamos como heróis, mas não queremos dar lições de heroísmo.

São aprendizados de uma corrida que vai entrar para minha história...



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 22h21
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... eu posso...

Estou correndo o Desafio dos 600K da Nike, indo de São Paulo até o Rio de Janeiro.

Nesse momento estou em São Sebastião. Já foram cerca de 200K. E amanhã, o que todos dizem, vai ser pedreira.

Pela Rio-Santos, serão mais cerca de 200K, com parada em Angra.

Estou entre os melhores atletas amadores de todo o Brasil. Gente que faz 3 minutos e pouco por quilômetro. E isso aqui é uma competição. Todo mundo quer se dar bem, individualmente e em grupo.

Mas eu sou uma pessoa e uma corredora normal, que com esforço chego perto dos 5 minutos por quilômetro. OK, estou na equipe imprensa que tem, digamos, algumas "regalias" - como por exemplo 13 atletas -, mas tenho que me superar como uma pessoa e uma corredora normal.

Meu trecho de estreia na prova aconteceu ao meio dia, no asfalto. Um retão sem tamanho, com uma leve subidinha. Pouco mais de 7 km. O calor, porém, matador. E eu fui lá e fiz. Penando, claro. Mas fiz. Cabeça trabalhando a favor o tempo todo, mesmo com o cérebro quase derretendo. Numa certa altura, um outdoor de uma operadora de telefonia celular, parecia ter sido colocado ali na estrada especialmente para mim. Dizia: "EU POSSO". Li, repeti em voz alta e toquei adiante.

Sabia que teria mais um trecho logo a frente, felizmente com um bom intervalo para me recuperar.

Às três e pouco da tarde, renovada - ou algo próximo à isso, já que andamos em uma van, com os os outros integrantes da equipe, com sanduíches, bebidas, mochilas - lá fui eu de novo. Mais um trecho de 7 km, na praia de Boraceia. Outro retão.

Praia quase deserta, apenas uma ou outra figura - uma delas uma espécie de "guru" fazendo meditação à beira mar - e eu. Uns urubus mais ali na frente. E lembrei do que alguns amigos me disseram: não se preocupe com seu tempo, faça o seu melhor, mas aproveite a prova. E ali eu corri com o coração. Feliz.


Fiz o meu melhor, mas também aproveitei a paisagem. Corri pela praia e depois um trecho de terra. Fui bem melhor do que o primeiro trecho.

Não sei nem como estou com cabeça pra escever agora, poucas horas de sono, muitas horas na van, com alguns momentos de corrida intensa. Não sei se faz algum sentido o texto. Mas queria deixar registrada algumas impressões.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 22h51
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... chegou a hora de ir...

Os medos e as angústias ficaram para trás. Deram lugar a alegria, como se pode ver na foto abaixo, durante o Congresso Técnico da Nike, ontem em SP. 

Que venham os 600K...

Que venha a Maratona de Curitiba...

Que venha muito mais por aí. 

Porque como diz a canção, "certeza é o chão de um imóvel... PREFIRO AS PERNAS QUE ME MOVIMENTAM..."

Obrigada por todo o apoio e desculpe a falta de tempo dos últimos dias (tanto para postar como para responder e-mails).

Sobre os 600 K, vou mandar notícias para esse blog, para o da Contra Relógio e também uns flashes no meu twitter



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 00h45
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Yara Achôa
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