... deu saudade dos 600K (18 outubro 2012)...

Mais ou menos nessa época, nos últimos três anos, eu corri o Desafio SP>Rio, os famosos 600k...

Foram experiências incríveis, que vão ficar para sempre na memória.

Em 2009, ano de estreia da prova, grande novidade entre os corredores, meu sentimento em relação aos 600K foi de "medo" - substituído ao final por "superação" (e choro!)

Em 2010, grande ano nas corridas para mim, ano de quebra de recordes pessoais em todas as distâncias (e incríveis 3h53m na Maratona de Buenos Aires), a palavra que definiu os 600K para mim foi "força".

Em 2011, veterana na prova (assim como o Harry Thomas e o Iuri Totti), o Desafio SP>Rio representou "diversão".

Por isso meu treino de hoje, pela trilha da volta da grade no Ibira, com uma camiseta da prova (de 2010), foi dedicado aos 600K.

E com você, caro leitor, compartilho agora algumas imagens dos três anos de "medo", "superação", "força" e muita, muita "diversão"!




Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h34
[ ] [ ]


... meu treino é um gráfico de pizza (27 setembro 2012)...

Acho que todo mundo desenvolve umas manias ao longo da vida. Coisas que às vezes a gente não sabe explicar como começam, mas que se tornam hábito e ficam cada vez mais "sofisticadas" - ou malucas.

Não lembro exatamente quando começou - talvez tenha sido a partir da minha primeira maratona, em 2008, em Porto Alegre -, mas eu desenvolvi a mania de fazer contas de cabeça enquanto corro.  No início, sem relógio sofisticado, ficar fazendo projeções do tempo final - com somas, divisões, simulações (se eu correr mais rápido, se eu diminuir...) - tinha algum sentido.

Hoje eu tenho um Garmin que me dá muita informação. Mas, mesmo assim, continuo com as contas. Vai entender...

Agora são os "gráficos de pizza" (também chamados de gráficos circulares ou gráficos de setores), tão usados para apresentações de dados, que dominam minha mente enquanto corro.

Chega a ser engraçado, pois eu visualizo até as menores frações.

Na última terça, por exemplo, o treino era de 10 tiros de 400 m, com intervalo de 40 segundos entre eles, em um trecho pequeno do parque, onde a gente tinha de ir e voltar pela mesma pista. Ou seja, um treino bem chatinho.

Mas com o "gráfico de pizza" na cabeça tudo ficou bem mais fácil. Cada ida e volta correspondia a 20% do treino feito. E logo eu "pintava" a fração na pizza virtual.  Aí fui sofisticando, ao ponto de poder afirmar que já tinha completado 83% do treino.

É legal porque funciona também como um treino psicológico e o tempo parece que passa mais rápido. Mas é pirante quando você não quer pensar em nada e a bendita bola dividida em frações não sai da sua cabeça...



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h25
[ ] [ ]


... errei o caminho (17 setembro 2012)...

Já tive medo de errar o caminho em prova, já sonhei com isso. Mas nunca tinha acontecido, até que...

No sábado, na USP, teve mais um treino do Desafio Pharmaton. Manhã bonita de sol, acordei super disposta e lá fui eu, junto com meu marido, o Guto, e minha filha, a Fernanda. Ele foi para fotografar o evento, ela, também inscrita, foi para correr.

No dia anterior a gente tinha optado, via Facebook, por uma das distâncias do treino – 5K ou 10K. Escolhi os 5K, pensando em correr forte e terminar rápido para depois poder conversar com os amigos e tomar o café da manhã caprichado preparado pela turma da RG Nutri.

A arena montada era digna das grandes provas: tenda para retirada de chip –aliás, um chip tecnológico, capaz de informar em tempo real aos meus amigos do Facebook sobre minha performance –, área para fazer teste da pisada, música, professores comandando alongamento... Tudo muito colorido e animado. Mas o que interessava era o treino, a corrida, e eu estava ansiosa para largar.

Eu treino com uma assessoria esportiva (a MPR), mas quando não estou com o grupo, corro com meu marido. E conversamos o tempo todo. Nesse dia do Desafio Pharmaton, como o Guto não iria correr, larguei sozinha.

Logo vi minha filha e chamei para vir comigo. Mas a Fernanda não quis papo. Avistei os amigos jornalistas – Capriotti, Bruno e Apa –, mas eles estavam gravando uma entrevista enquanto corriam e eu não quis atrapalhar.

Segui sozinha. Entrei no papo de uma dupla que discutia o desafio de um dia correr 21K. Compartilhamos algumas experiências e eu novamente avancei. Puxei conversa com outra moça, que estava fazendo 10K. “Só vou fazer 5, mas quero ver se consigo seguir forte”, eu disse, em um ritmo de 5’30” por quilômetro.

Um pouco mais adiante – perto de completar 2K –, de novo resolvi conversar. Vi duas meninas e perguntei a uma delas sobre o tênis que estava usando e o que achava daquele modelo. Foi a deixa para começarmos a “tricotar”.

Falamos de tênis, de maratonas, de viagens, de desafios na corrida e no dia a dia, de como a corrida ajuda a gente a se superar, descobrimos amigos em comum... E papo vai, papo vem, de repente me vejo subindo a rua do Matão (a subida da Biologia) e meu relógio acusa 5K. Olhei para a Ana e falei: “Engraçado, já deu 5K”. E ela respondeu: “Sim, só falta metade”. Daí é que percebi que tinha seguido com a turma dos 10K.

Por alguns segundos, fiquei em estado de “quase pânico”. Isso porque antes de um treino eu me programo mentalmente para correr uma determinada distância (naquele dia seriam 5K) – e não me peça para dar um passo a mais!

Mas pensei: “Já que estou aqui, vou continuar. Esse vai ser um desafio a ser superado. E, afinal, não é esse o espírito do projeto, levar as pessoas a equilibrar corpo e mente por meio da atividade física? Vou me reequilibrar e seguir”.

Retomei o rumo da corrida, já descartando qualquer ideia de performance, e fui até o fim conversando com a Ana e a Lizandra. No mesmo instante que cruzei a linha de chegada, meu Facebook acusou: “Completei o meu desafio de 5k em 1h03min. O desafio me ajudou a ter equilíbrio entre corpo e mente e me trouxe disposição para vencer. Desafie-se você também!”

Quem viu a mensagem, pode ter achado que eu fui andando, rsrs. Mas nem liguei. Eu errei o caminho, não fiz o tempo que pretendia, mas cheguei bem e ainda ganhei duas novas amigas!



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h23
[ ] [ ]


... e o vencedor é (15 agosto 2012)...

Está aqui o resultado da promoção cultural do blog...

Em primeiro lugar peço desculpas pelo atraso na publicação desse post com o vencedor da promoção
POR QUE SUA HISTÓRIA NO ESPORTE MERECE VIRAR UM LIVRO”.

Não consegui publicar ontem devido a um problema técnico.

Todas as histórias são incríveis, mas a comissão formada pelos profissionais do Estúdio13 e convidados escolheu a versão de
Ana Maria de Carvalho Barranco

‘A minha vida de corredora não tem um histórico de doença grave, paralisia, obesidade ou algo físico que me impedisse de fazer atividade física. Esses depoimentos de superação me emocionaram e pela garra quase me fizeram desistir de postar o meu. A minha história é de uma convivência nefasta com um inimigo: EU.  Mas um dia, que não teve nada de especial, eu resolvi levantar e ver se era mesmo tão legal acordar tão cedo e sair correndo. Hoje agradeço a corrida por ter mudado a forma negativa como eu me via: eu não sou uma derrotada que não sabe fazer nada e que nunca vai conseguir completar uma tarefa. Eu me venci! Hoje eu corro e mostro pra mim, todos os dias e em todas as atividades, que sou o que eu quero ser’

 

A Ana será contemplada com um MySPORT_Book do Estúdio13, um livro bonito e personalizado para eternizar suas grandes paixões e conquistas. As imagens serão feitas em estúdio profissional pelo fotógrafo Guto Gonçalves e o texto será produzido em forma de reportagem por mim.

Entrarei em contato com a Ana para acertarmos os detalhes de agendamento. E tão logo o MySPORT_Book  da Ana esteja em andamento mostrarei aqui no blog os bastidores da produção.

Parabéns pela garra de vocês e pelas conquistas graças ao esporte.
E mais uma vez obrigada pela participação de todos.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h22
[ ] [ ]


... sua história no esporte merece virar livro: promoção cultural no blog (3 agosto 2012)...

Hoje é dia de promoção cultural. Nada de inscrição para prova, tênis ou camiseta...  Mas é uma coisa pra lá de bacana. O que vou dar para o fiel leitor ganhador da promoção é seu próprio livro, com sua história de superação no esporte. Como?

Primeiro vou explicar o que é esse livro. Depois, como você pode ganhá-lo.

Sempre escrevi sobre saúde, bem-estar e esporte. E sou apaixonada especialmente pelo tema corrida – sou colaboradora da revista Contra Relógio há quase sete anos.

Esse ano, porém, resolvi ir um pouco além, superar meus limites também na área profissional. Uni forças com meu marido, o fotógrafo Guto Gonçalves, e juntos criamos o Estúdio13 – fotografia e jornalismo.

Esportistas que somos, desenvolvemos um produto exclusivo para todo tipo de atleta: o MySPORT_Book.

Trata-se de um livro bonito e personalizado para eternizar grandes paixões e conquistas. As imagens são feitas em estúdio profissional pelo Guto. E o texto, com a história de superação do atleta, é produzido em forma de reportagem por mim.

A união de fotos e texto resulta em um livro artístico e de acabamento impecável, tamanho 21x30cm, capa dura, impresso em papel couché.

O MySPORT_Book é aquele “troféu” que você vai ter orgulho de mostrar aos amigos!

E é um MySPORT_Book que eu vou dar aqui no blog a um de meus leitores. Para participar, basta responder, por meio dos comentários no post de hoje (3 de agosto) e em até 500 caracteres (ou seja, textinho curto), a seguinte pergunta:

“POR QUE SUA HISTÓRIA NO ESPORTE MERECE VIRAR UM LIVRO?”

Coloque também nome, idade e cidade (twitter e facebook, se tiver).

A data limite para postar seu comentário-resposta (dentro do tamanho estabelecido) será dia 10 de agosto, às 17 horas. Anunciarei o vencedor no dia 14 de agosto por meio de um post aqui no blog.

A resposta mais legal, julgada por uma comissão formada pelos profissionais do Estúdio13 e convidados, vai levar um MySPORT_Book personalizado.

Atenção: a sessão de fotos para o livro, que é parte do produto MySPORT_Book, é realizada em nosso estúdio, que fica na cidade de São Paulo. Caberá ao vencedor deslocar-se por seus próprios meios até o Estúdio13, em dia e horário previamente agendados com a equipe. Essa promoção é pessoal e intransferível.

Posteriormente serão passadas ao vencedor informações sobre agendamento da sessão de fotos e entrevista e entrega do livro.

Vai ser legal transformar a sua história em livro. PARTICIPE!

---------

 

P.S.: amanhã participarei do debate “Mulheres nos 21K” na Expo da Golden Four Asics, às 16 horas, no Hotel Tivoli São Paulo, Alameda Santos 1437. Se estiver por lá e quiser mais detalhes da promoção ou mesmo só para bater um papo sobre corrida, é só chegar :)



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h20
[ ] [ ]


... Maratona de Nova York em cena (25 julho 2012)...

 

Quem mora em São Paulo e ainda não viu, não pode perder a peça Maratona de Nova York. Será o último final de semana em cartaz por aqui. Anote: sexta, sábado e domingo (27,28 e 29 de julho), no Teatro Cacilda Becker, na Lapa.

Quem é de Fortaleza pode se programar para assistir nos dias 4 e 5 de agosto, no Teatro Celina Queiroz.

Em seguida a peça segue para o interior de São Paulo: São José dos Campos, Bauru e Botucatu (não sei informar onde serão as apresentações, mas para quem é da região não deve ser difícil descobrir).

A ideia, depois, é voltar à capital paulista.

Eu assisti duas vezes – e até decorei umas falas, que agora repito em meus treinos (rsrs).

E ainda entrevistei os atores Anderson Müller e Raoni Carneiro (a matéria está na edição de agosto da CR).

Yara Achôa, Anderson Muller, Raoni Carneiro

Simplesmente adorei. Por que? Porque me identifiquei com os personagens – ora com um (meio reclamão, mas divertido), ora com outro (focado e severo consigo mesmo). Juro que em vários momentos do espetáculo deu vontade de dizer: “comigo também é assim”.

Mas não vá esperando que seja uma história sobre a Maratona de NY. Mais do que uma trama de superação, que envolve a tão festejada prova, os personagens emocionam com suas reflexões sobre a vida.

Fora dos palcos, Anderson e Raoni foram super simpáticos e se revelaram apaixonados por corrida. Nem parecia uma entrevista e sim um papo entre amigos corredores.

Se eu fosse você corria lá para assistir.

 



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h18
[ ] [ ]


... a Maratona do Rio e Zélia Duncan (6 julho 2012)...

Nunca corri a Maratona do Rio, vivo “ensaiando”, mas ainda não dei o passo definitivo.

Só corri a Meia Maratona – distância também oferecida dentro do evento Maratona Caixa da Cidade do Rio de Janeiro, que vai rolar no próximo domingo.

Acho que é uma das provas mais bacanas do Brasil. Gostaria de estar lá, mas dessa vez não vai dar.

Muitos amigos irão. E uma ilustre corredora também: a cantora Zélia Duncan. Pelo menos foi o que ela disse durante um recente evento, do qual eu participei, cujo tema foi corrida e superação.

Na conversa, ela mostrou um sentimento de paixão pela corrida parecido com o que eu também tenho. Dei risada com algumas de suas tiradas e repeti internamente “comigo também é assim” várias vezes.

Em homenagem a todos que vão correr a Maratona do Rio, segue aqui os melhores momentos da Zélia Maratonista.

Sobre como começou a correr

“Fui jogadora de basquete profissional, mas parei de jogar faz muito tempo. Segui a carreira artística. Fui cantar. Minha vida mudou. Um dia resolvi jogar de novo, míope, mais velha, mas ainda com a memória da garotinha esportista. Liguei para umas pessoas, arrumei uma quadra. Primeiro foi um desespero para colocar a lente de contato. E também não estava preparada para correr tanto. Não corria há um tempão. Briguei com todo mundo... Vi que pra arrumar quadra, gente, alguém pra apitar era difícil... É muito complicado pra vida que eu tenho arrumar tudo isso. Aí comecei a querer correr.

Eu tinha horror por corrida. Vivia dizendo isso. Mas eu moro no Rio, cidade bonita, gostosa de correr. Uma amiga do bairro disse que eu devia correr um pouquinho. Comecei a correr cinco minutos, andava rápido, corria mais cinco minutos, me sentia muito cansada, parava. Aos poucos fui aumentando a distância e comecei a tomar gosto. Tem um momento que vai dando prazer. Quando corri 2 km direto foi... uau! Depois foram 5 km. E então comecei a querer correr 10. Aí uma amiga disse que ia me inscrever em uma meia maratona. Virou um sonho pra mim. Aprendi o que era o prazer de treinar. Comecei a levar tênis, relógio, roupa de corrida para as cidades que eu tinha show”

Sobre corrida e prazer

“Quando você começa a correr é desespero, sente a perna pesada. Até você descobrir o prazer. Aí eu digo para mim, eu sou saudável, eu tô viva, posso fazer isso. E vou correndo, 10 km, 15 km... 20 km. Aí eu vou dizendo ‘o que é que eu tô fazendo aqui. Por que eu estou aqui?’ Mas o prazer volta em dobro quando eu termino”

“Eu digo que agora eu canto pra sustentar esse vício. Virou uma coisa séria, momento quase de meditação, só meu, de extremo prazer”

Sobre medalhas

“Adoro uma medalha. Significa que eu consegui chegar. É importante esse símbolo”

Sobre mantras na corrida

“Eu li um livro muito bacana de um japonês chamado Haruki  Murakami (Do que eu falo quando eu falo de corrida). Ele corre muito, já fez ultra. Em determinada parte ele conta que antes dele começar a correr, assistiu a uma entrevista com grandes maratonistas, falando que eles tinham mantras, frases que eles repetiam durante a corrida.

É claro que eu e meus amigos desenvolvemos mantras. Tem um amigo que corre assim ‘é campeão, é campeão’. O meu é assim: 'o que são 10Km dentro de uma vida, o que são 10km dentro de uma vida...'

Mas o pior é quando aquelas músicas horríveis grudam na sua cabeça, você não consegue parar de cantar dentro da cabeça...”

Sobre longas distâncias

“Quanto mais velho você fica, parece que a corrida fica melhor. Parece que a gente tem mais paciência. Eu estou com 47 anos. Não me imagino com 25 anos correndo 30 km. Eu ia ficar muito nervosa. Tem quem tenha o dom. Eu não, fui desenvolvendo. E tem que ter paciência, descobrir o prazer”.

Sobre corrida e música

“Corro com músicas que me dão alegria. Música triste pode me derrubar”

Sobre ser reconhecida quando está correndo na rua

“Outro dia estava correndo no Rio, um cara passou de carro e gritou para mim: ‘Ô, Zélia Duncan, entra aí, eu te levo...’”

“No Recife, véspera de um show, levantei cedo, coloquei minha roupinha de corrida, meu relógio... Estou lá correndo. Uma pessoa começou a correr junto e resolveu puxar papo: ‘te conheço de algum lugar... você poderia...’ Eu respondi de imediato: ‘agora não, eu tô treinando...’. Depois passou outro e disse: ‘aí Zélia, adorei seu show’. E eu: ‘pô, mas eu não cantei ainda...’”

Sobre maratona

“Como amadora, dentro de uma prova imensa como a maratona, o que senti é que o corpo vai, vai. Quando passa 32, 33 km, seu corpo começa a dizer assim ‘não foi isso que a gente combinou. Você não vai parar?’ Você tem que ter uma força mental muito grande. Em um certo momento parece um castigo. Mas quando você chega tudo se justifica, tudo é bonito, está tudo certo”

Sobre sua primeira maratona, em Chicago, 2010

“Tem uma história hilária nessa primeira maratona que corri, em Chicago. Fui com o Drauzio Varela, meu grande amigo, tive o prazer de ir com ele. E também com uma amiga mais jovem, super corredora – a gente a chamava de bip-bip, ela completou a prova em 3h28m. E ainda uma amiga que mora em Chicago, que nunca correu, e resolveu treinar para a maratona. A considero uma pessoa muito corajosa. Ela se preparou para fazer em seis horas, para completar. E estávamos lá, caminhando para a largada. Estávamos emocionados, aquela multidão caminhando... Eu com vontade de chorar. Aí a mãe dessa minha amiga que mora nos Estados Unidos ligou do Brasil. Ela falou com a mãe, chorou. E a gente só vendo ela falar assim: ‘não, mãe, está tudo bem, pode deixar...’ A mãe dela disse para ela ‘Minha filha, liguei para dizer para você que não precisa ganhar não...’ Corremos os 10 primeiros quilômetros às gargalhadas.  Ela fez em 6h20. Seguiu a risca o que a mãe pediu”.

Em tempo: Zélia completou os 42,195 km de Chicago em 5h10m34s.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h15
[ ] [ ]


... balinhas e refri no km 40 da Maratona de São Paulo (18 junho 2012)...

Já corri quatro maratonas. Não é tanta experiência assim, mas já é um número respeitável (pelo menos eu acho).

E pelas minhas vivências, digo: por 30 quilômetros você vai bem, corre aquilo que você treinou. Depois, são 12 quilômetros de superação.

Não corri a Maratona de São Paulo no último domingo, mas fui assistir. Porque eu adoro ver gente correndo. Ainda mais uma prova como a maratona.

Depois de ver a chegada feminina (com a Marily dos Santos em quinto) e a vitória do Solonei, me instalei – com marido e filhos – no km 40.

Tão perto e tão longe da chegada...

Naquela altura da prova, você não aguenta mais: já tomou gel, já bebeu água, já comeu batata, já está enjoado...

Tudo o quer é ver logo a linha final.

Ficamos ali, logo após a saída do túnel, debaixo de sol forte (devia estar uns 25 graus). Levamos bala de goma e alguns refrigerantes (um refri prometido para uma amiga, os outros para quem achássemos que precisava) para oferecer aos corredores.

Os meninos adoraram a experiência de ajudar os maratonistas. Ensinei que eles deviam abordá-los com calma, não passar na frente correndo, enfim, respeitar a corrida.

Foi muito lindo ver Antônio e Joaquim oferecendo: ‘quer uma balinha?’, ‘aceita um guaraná?’

Alguns corredores recusavam educadamente. Outros simplesmente aceitavam. Outros aceitavam e agradeciam – muitos até como se estivessem vendo uma miragem. Ouvimos vários ‘Deus te abençoe!’

E cada maratonista que pegava a balinha ou o refrigerante levava um pouco da gente junto...

Parabéns aos que completaram a Maratona de São Paulo!



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h13
[ ] [ ]


... lá vem mais uma Maratona de São Paulo (15 junho 2012)...

Todo ano quando chega a época da Maratona de São Paulo eu me pergunto porque não me inscrevi... É a minha cidade...

E todo ano eu não consigo ficar longe dela. Vou para ver e ajudar os amigos.

Gosto de ficar nos quilômetros finais, vendo a expressão dos corredores e revivendo minhas experiências nos 42K.

Em 2009 me posicionei no km 40, logo após a saída do túnel, na Av.  Juscelino Kubitschek – cenário de guerra, como dizem alguns.

Em 2010 encarei o percurso de 10K e depois fiquei próxima à chegada.

Em 2011 fui para a USP, no km31, onde encontrei muita gente conhecida e entreguei o refrigerante gelado prometida ao amigo Alexei.

No próximo domingo estarei por lá novamente, ainda como expectadora, provavelmente na JK.

Quem for correr e me enxergar ali, dá um “tchauzinho” :)

E no ano que vem, prometo: estarei em todos os quilômetros da Maratona de  São Paulo.

Acho que está chegando a hora de colocar essa prova em meu "currículo"!



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h13
[ ] [ ]


... lembrei porque eu gosto de subir um morro (5 junho 2012)...

Fazia tempo que eu não encarava um morro. E já havia esquecido como é bom ser desafiada pelas subidas.

Há meses só encarando a planície do Ibirapuera, no último domingo, por insistência do Guto, resolvi fazer um treininho no Centro Recreativo do Trabalhador, o Ceret, no Tatuapé (SP).

O parque é pequeno e a volta que fazemos tem apenas 2 quilômetros. Mas o lugar é uma delícia porque oferece variação de terreno (asfalto, terra, grama) e elevação (subidas e descidas) o tempo todo.

Antes de começar, combinamos: “três voltas”.

E lá fomos nós. Saímos conversando no trecho inicial, de descida, e fechamos a boca tão logo começou a primeira elevação.

Claro que eu fiz “manha”, andei um pouco, reclamei. O Guto insistia para eu não parar. Nos trechinhos planos ou de descida, ainda conversávamos um pouco. Foi assim nas duas primeiras voltas.

Na terceira, suspendemos o papo, me concentrei. Eu ia encarar o percurso inteiro sem reclamar, sem parar.

Quando estou em situações “difíceis” na corrida (uma subida punk, um trecho monótono, debaixo de sol forte) costumo inventar “mantras”. Nesse domingo, enquanto eu subia os morros do Ceret, repetia na minha cabeça: “estou em uma reta, estou no plano”.

Sei que a terceira volta foi muito boa. O percurso não é um “morro maldito”, mas é puxado. E a sensação de superação também existe ali.

No final da terceira volta, falei para o Guto: “vamos mais uma?”

Fechamos o treino com 9 quilômetros rodados em pouco mais de uma hora.

O tempo não foi lá essas coisas, mas terminei me sentindo mais forte.

E ganhei um elogio do Guto: “você é valente”.

Estava mesmo sentindo falta dos morros e de me sentir valente.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h11
[ ] [ ]


... sobre corrida e amor (1 junho 2012)...

Eu adoro ouvir boas histórias. E sempre imagino um jeito de transformá-las em matérias para compartilhar com maior número de pessoas.

Eu adoro ouvir boas histórias: de corrida (amo relatos de maratonas, de conquistas, de superação) e de amor (uma das responsáveis por isso é minha mãe que, vira e mexe, recorta uma crônica do jornal e me dá, falando “olha que história de amor!”).

Então não poderia deixar de registrar aqui uma
história de corrida e de amor.

Essa eu acompanhei pelo Facebook. A história da Laina, professora de Educação Física de Porto Alegre, e do André, do Rio de Janeiro.

Eles se conheceram em um grupo sobre corrida, na rede social. Vi postarem fotos, mensagens, palavras carinhosas.

Vi que completaram muitas provas juntos:

21K em POA (05/2011) ; 21K em Floripa (06/2011); 21K no Rio (07/2011); 2K Natação Rei & Rainha do mar em Copacabana, Rio (08/2011); 24h correndo na esteira em POA, Laina 67K e Andre 77K (09/2012); 81K da TTT em dupla, em POA (01/2012); 200K Audax de bike, no Rio (03/2012); K21 em Arraial do Cabo, prova transformada em noivado (05/05/2012)

Outro dia recebi o convite virtual: Laina e André chamando os amigos para o casamento após a Maratona de Porto Alegre. Não à tarde, em uma cerimônia, mas sim imediatamente após a linha de chegada dos 42K. Não especificaram, mas acho que os convidados não necessariamente precisariam correr, rsrs.

E vai ser no próximo domingo, 3 de junho. Vai ter corrida, superação, emoção e casamento na Maratona de Porto Alegre.

Nas alianças está gravado o número mágico 42,195 -distância oficial de uma maratona.

Parece que também terá o tradicional buquê, lançado às amigas que estiverem por lá. Laina só esconde detalhes do modelito que vai usar, mas tenho certeza que vai arrasar. Porque tudo nessa história é bonito.

Parabéns, Laina e André!

Acho que agora vou imprimir esse post e levar para minha mãe, dizendo: “olha que história de amor!”



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h09
[ ] [ ]


... umas risadas e um pouco de inspiração (3 maio 2012)...

Ontem, zapeando a TV, peguei no comecinho um filme chamado “Maratona do Amor” (Run Fat Boy Run).

Já tinha ouvido falar dessa produção na época em que foi lançada (2008), sabia que era tipo “sessão da tarde”, “água com açúcar”, mas tendo a corrida como tema foi impossível resistir. Dei boas risadas.

Dennis é um cara todo atrapalhado e, segundo as pessoas que convivem com ele, “nunca termina nada do que começa”. Cinco anos atrás ele havia deixado a noiva grávida no altar por não se sentir preparado para o casamento. Mas agora, todos os dias, ele tenta convencer a mulher que ama a aceitá-lo de volta. E todo dia ele falha.

Quando Dennis descobre que a ex arrumou um namorado a coisa muda de figura. Ela explica assim o que viu no novo namorado: “Ele é bonito, simpático, bem sucedido. E corre maratonas”. Dennis não deixa por menos e diz a amada e aos amigos que vai correr a “Nike River Run”, uma maratona beneficente de Londres (embora no filme dublado eles tenham falado em uma corrida de 40 Km o tempo todo). Tudo para provar que pode mudar de vida (além de atrapalhado, o cara era sedentário, fumante e tinha uma vida zero saudável).

O filme é engraçado e a gente se identifica em muitos momentos. Como quando Dennis diz que “a partir de amanhã, às 6 da manhã, minha vida vai começar a mudar” e em seguida corta para a cena com ele acordando às 8, todo preguiçoso, perdendo seu primeiro dia de “treino”. A primeira corridinha também é hilária: ele com uma roupa nada a ver sai correndo forte uns 50 metros e para, quase morrendo. Mas olha para o relógio e diz: “nada mal”.

Com ajuda dos amigos e sem perceber, ele vai pegando gosto pela corrida. Eu adoro ver gente correndo – e em Londres, onde recentemente corri uma Meia Maratona, então...

Claro que tem muita coisa que não corresponde à realidade – como os corredores rivais chegando ao pelotão de elite, durante a corrida, e ultrapassando os líderes.  Mas é ficção, é pra dar risada.

Sei que gostei muito. E sei que o filme serviu de motivação para hoje cedo quando acordei com frio e vontade zero de sair da cama. Mas como tinha de levar filho na escola e tal, já que estava de pé, fui para o parque e corri 40 minutos. Valeu a pena. Sempre vale a pena.

Para o final de semana friozinho que se aproxima, para motivar, para dar risada, para ver o que a corrida pode fazer por uma pessoa, fica a dica:
Maratona do Amor.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h07
[ ] [ ]


... 1h41m, mais uma vez (23 abril 2012)...

Quantos quilômetros cabem em 1h41m? Esse tempo “me persegue” em várias distâncias. Reparei nisso um tempo atrás. Veja só:

Volta da Pampulha (em 5 de dezembro de 2010) 18K = 1h41

Volta ao Cristo (em 30 de janeiro de 2011) 16K = 1h41

Volta a Ilha, trecho do Morro maldito (em 30 de abril de 2011) 15K = 1h41

Treino na USP (em 11 de junho de 2011) 17K = 1h41m

E também foi em 1h41m que fechei as 10 Milhas Mizuno (16K) no último domingo.

Prova bem organizada, distância “tranquila”, percurso praticamente plano, clima perfeito para correr... Só eu não estava muito bem. Na semana passada uma ameaça de gripe foi me tirando o sossego. E claro que a ameaça se concretizou no sábado, véspera de prova.

Para combater a dor de garganta, antiinflamatório; para amenizar os sintomas da gripe, antigripal. Não fazer a prova não estava em meus planos.

Mas no dia, na hora de correr pra valer, senti que não ia ser bem como eu queria. A expectativa era fazer pelo menos 6 minutos por quilômetro, fechando em torno de 1h36m. Comecei conservadora, mais lenta, tentei apertar em alguns momentos e “reclamei” o tempo todo com o Guto, meu marido, também corredor.

Tive vontade de mudar para o percurso de 5 milhas, pensei em dar uma paradinha na ambulância (não era pra tanto, mas eu fiz fita quando vi a equipe médica), cheguei a dar uma caminhadinha...

O Guto estava em um dia muito bom e poderia ter corrido bem melhor, mas me acompanhou e, com a maior paciência do mundo, me incentivou a continuar. E terminamos juntos mais uma prova.

Juntando o esforço físico, a roupa molhada e a garoa que tomei, a gripe baixou de vez. Hoje estou um bagaço. Muito chazinho, mais antigripal, descanso... Só sei que quero melhorar para estar bem nas próximas.

***

Em tempo 1: minha luta para perder uns quilinhos continua. Mas está difícil. Alguns dias eu noto uma ligeira queda nos números da balança, mas depois volta tudo ao “normal”. Até óleo de coco estou tomando. No começo parece que deu uma ajuda. Agora estagnou. Tenho conversado com muita gente, sei do lance da idade, dos hormônios... Mas eu preciso emagrecer um pouco para voltar a correr mais leve.

Em tempo 2: a Maratona de Boston já passou, eu não corri, mas não dá para dizer que eu não fiquei um pouquinho triste de não poder ter ido. Soube do calor infernal, soube que muitos corredores desistiram. Muita gente falou “ainda bem que você não foi”... Mas ficou a frustração. Outro dia, conversando com a Martha Dallari (vice-presidente da ATC e uma pessoa ótima para conversar sobre corrida e sobre a vida), ela me disse que a gente tem que viver um pouquinho esse sentimento da frustração. E é isso. Pronto. Vivi. E agora já passou. Os treinos continuam e próximos desafios virão.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h05
[ ] [ ]


... meus top 10 na corrida (11 abril 2012)...

 

Ao longo dos meus seis anos de corrida tive a oportunidade de experimentar muitos tênis e roupas de corrida. Ter conforto é básico, mas a modelagem que deixa o corpo da gente bonito e um toque fashion também agradam. Nesse momento minhas peças favoritas são:

Tênis

1. Mizuno Wave Prorunner 14: sempre gostei do modelo; é perfeito para o meu pé. Nos longos de final de semana e nas provas, é com ele que eu vou.

2. Adidas Response Stability: nunca tinha usado a marca, até ganhar um par no ano passado. É bem gostoso de usar. Rodo muito com ele em meus treinos da semana.

3. Asics Nimbus 13: foi um dos primeiros modelos que usei e me adaptei fácil a ele. Também é um tênis que uso para rodagem na semana.

Shorts

4. Mizuno: o que eu gosto é um modelo com o cós largo e tecido bem leve. Esse que eu uso não tem forro, o que deixa a peça mais confortável.

5. Nike: também tem o cós mais largo e o cordão fica para fora, mais fácil de amarrar. Gosto do tecido, do caimento, da cor.

Tops

6. Nike X-Back: tem ajustes nas alças e fecho nas costas, o que dá conforto e segurança. Fora que deixa o corpo bonito. Meu preferido.

7. Asics Ayami Bra: o modelo é bem feminino, gosto das alças fininhas e do recorte nas costas.

Meias

8. Nike Elite Running: para mim não tem melhor. Uso as de cano baixo. E quanto mais velhinhas, mais gostosas de usar.

Camisetas de prova

9. Circuito Vênus (Nike): bonita, modelagem feminina, tecido gostoso. Uso sempre em meus treinos

10. Circuito Athenas (Mizuno): é uma das camisetas mais gostosas que já vesti. Tecido leve, modelo baby look perfeito, cor bonita... Uso direto.

* Em tempo: minha pisada é neutra; tenho quadril largo (então detesto shorts retos e justos); tenho seios pequenos (portanto tops podem ser bem justinhos; não gosto dos que tem bojo e dos que ficam folgados).

 



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h03
[ ] [ ]


... será que sobrou algum leitor? (2 abril 2012)

Caramba! Quatro meses sem postar uma única linha.

Não vou ficar me estendendo em desculpas, mas apenas assumir que não consegui escrever aqui nesse tempo todo – falta de tempo, de inspiração, de assunto para compartilhar ou tudo junto e um pouco mais.

Nesse tempo eu continuei treinando – ou pelo menos tentando treinar.

Teve a fase de retomar o treino direitinho, a fase das férias, a fase de treinar quando era possível. Agora estou novamente na fase de retomar o treino direitinho. Estou levando a sério (dessa vez a sério mesmo, juro!). Treino três vezes por semana, seguindo a planilha, fazendo o possível ainda para encaixar musculação ou outra atividade na rotina.

Só que com a inconstância dos últimos meses ganhei alguns quilos. Nunca fui neurótica por magreza, mas preciso ficar mais leve para correr melhor.

E que dureza perder o excesso. Mesmo com orientação do endocrinologista, está mais difícil emagrecer agora do que quando eu comecei, sete anos atrás.

Sabe o que é ter que “correr devagar” (para ficar na faixa de queima de gordura) quando você já conhece o “correr depressa”? Dureza, leitor! Fora que o controle da alimentação tem que ser muito maior.

Nesse tempo também fiz e refiz muitos planos. Embora inscrita na Maratona de Boston, que acontece daqui duas semanas, não vou mais correr essa prova. Tomei a decisão há alguns meses. Não deu dessa vez, paciência. Mas não faz mal, um dia eu corro atrás do índice de novo e me preparo direito para estar lá.

Vou guardar com carinho o Manual do Corredor da Maratona de Boston – que recebi semana passada –, que certamente servirá de estímulo pra continuar na luta :)

Próximas provas? Ainda não sei. Melhorar meus tempos? Isso é lá pra frente. Bate-papo pelas corridas ou pelo blog? Certeza! Compromisso assumido!



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h02
[ ] [ ]


... e ela me alcançou (6 dezembro 2011)...

No ano passado, em uma corrida de 5km, corremos juntas.

Fernanda, que ensaiava uns passos de corrida na academia, tinha como meta o pace de 6 minutos por quilômetro.

Às vezes eu me empolgava e acelerava um pouco. E era divertido ouvi-la chamar: “Me espera, mãe!”

Na época, lembro de ter pensado que ainda chegaria o dia em que eu ouviria: “Acelera, mãe!”

Desde o começo desse ano Fernanda se empolgou e está treinando com uma equipe de corrida, a Run & Fun.

Gosta e segue direitinho as orientações dos treinadores. Com isso, evoluiu. Vem participando de provas. Já fez até uma meia maratona.

Eu, como mãe e corredora mais experiente, tento dar umas dicas. Mas Fernanda está na fase do “sangue nos olhos”. Quer mais, quer ir mais rápido. Quer me alcançar.

E esse dia chegou. Juntou-se à minha equipe no revezamento Ayrton Senna Racing Day no domingo passado.

5.275 metros (correspondente a uma volta em Interlagos, com fortes subidas e uma parte inclinada) para cada um dos oito integrantes.

Ela foi a quarta a entrar na pista. Depois dela seria o Guto e só então eu.

E Fernanda já chegou falando: “29 minutos e 42 segundos”.

Ela fez pace de 5’25”, mas achando que poderia ir melhor.

Fiquei orgulhosa – e apreensiva.

Chegou minha vez. Larguei forte. O circuito começa com descida, o que me fez completar o primeiro km em 4’30”.

Claro que não aguentaria esse ritmo até o final, mas ganhei confiança com isso.

Diminui, mas segui forte até a subida do km 3 para o 4. Ali tive de andar um pouco para recuperar o fôlego.

Ao passar pelo km 5, meu relógio marcava 27 minutos e 7 segundos. Achei que conseguiria bater a marca da minha filha. Mas a corrida só acaba quando termina...

Cheguei, desliguei o cronômetro e fui conferir o tempo final: 29 minutos e 51 segundos.

Fernanda chegou 9 segundos na minha frente (* acabei de verificar agora os tempos oficiais e essa diferença caiu para 6 segundos, rsrs).

De qualquer forma, ela me alcançou.

Que a gente possa correr muito mais por aí, com essa determinação, alegria e orgulho uma pela outra, não é bebê?!?

*** EM TEMPO: nossa equipe, batizada de OS FOFOS,  formada por mim, FernandaGutoAmauriHarryDaniel,Bruna e Toninho fechou a maratona de revezamento Ayrton Senna Racing Day com o tempo de 3h57m18s (ritmo médio 5m37s). Na classificação geral de octetos ficamos em 52º lugar, entre 520 equipes!!!!
Parabéns a todos os envolvidos!



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 17h01
[ ] [ ]


Correr ou treinar? (1 dezembro 2011)

Sempre que encontro um amigo que não vejo há algum tempo, ouço a pergunta:

“Está treinando muito?”

Ultimamente a minha resposta tem sido:

“Continuo correndo, mas não exatamente treinando”.

Eu acho que existe uma diferença entre treinar e correr.

Que meu treinador, Marcos Paulo Reis, não me leia... Mas faz semanas que não olho as planilhas que ele me envia. E também não tenho tido tempo de aparecer nos treinos de pista às terças, no Ibirapuera, com minha equipe.

O que tenho feito é correr: às terças, quintas e sábados ou domingos, além de uma esteira rápida às segundas e sextas, antes da musculação.

Nos dias de corrida na rua ou no parque, já saio de casa com uma intenção. Tipo: “vou correr 50 minutos” ou “vou dar três voltas no lago” ou “vou correr 6K fortes”. E faço exatamente o que me propus. Nem um passo a mais.

O problema é que acabam sendo “treinos” curtos e sem trabalhar outras habilidades.

Em outubro corri uma meia maratona em Londres e, em seguida, participei da Nike 600K. Depois que voltei, meio que encerrei o ano em provas e me dei “férias”.

Só parei pra pensar no assunto – e senti que preciso voltar a treinar de verdade – quando meu treinador me ligou e perguntou: “Ué, vai pra Boston ou não vai? Temos que rever sua planilha”.

Pois é, acabei de olhar o site da Maratona de Boston. Faltam 136 dias.

Busquei de novo meu nome na lista dos aceitos para 2012. E, sim, meu nome continua lá.

Às vezes fico até meio sem graça de dizer que estou inscrita em Boston, porque não sou “essa coca-cola toda” como corredora.

Eu já contei que nunca corri pensando em um dia estar em Boston, para mim era realmente uma ideia distante. Mas acabei descobrindo que tinha índice (com o resultado de Buenos Aires 2010) e me inscrevi.

E agora acho que não posso desperdiçar essa chance.

Então não tem jeito. Vambora treinar. Em pleno mês de dezembro, em meio às festas e férias, vambora começar a fazer uma base bem-feita e encarar com seriedade os treinos.

Que o “Projeto Boston” me inspire para voltar a treinar bem para poder compartilhar aqui minhas experiências.

E você, tem corrido ou treinado? Alguma dica para me ajudar nessa nova empreitada?



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h59
[ ] [ ]


... estou a caminho da minha primeira meia maratona internacional (5 outubro 2011)...

Pelas minhas contas, já fiz mais de 20 meias maratonas. A maioria no Rio e em São Paulo.

Agora parto para minha primeira meia internacional. Será a Royal Parks Half Marathon, em Londres, no próximo domingo, dia 9 de outubro. Comecei a planejar minha ida para lá alguns meses atrás, depois que o Tomaz, editor da CR, falou dela. E o dia chegou. Embarco daqui a pouco.

Estou na expectativa para conhecer a cidade e correr bem a prova (espero fazer em torno de 1h55m).

Pelo que li e ouvi falar, é uma prova muito bacana, que passa pelos parques reais, praticamente plana e perfeita para quem quer estrear na distância ou unir corrida e turismo.

E é uma meia maratona concorrida também. Tanto que no site da prova já existe uma área para quem tem interesse em correr em2012 se registrar. As inscrições começam efetivamente em 18 de janeiro.

A seguir, a prova em números e curiosidades:

- Essa é a 4ª edição da Royal Parks Half Marathon, que será realizada em 9.10.11

-  Os 21K (ou 13,1 milhas) passam por 4 parques reais: St James, The Green Park, Kensington Gardens e Hyde Park.

- São esperados 12.500 atletas (a capacidade máxima para a corrida)

- Mais de 60% dos corredores contribuem com doações para caridade

- Cerca de 240 instituições de caridade de todo o Reino Unido são beneficiadas com o que é arrecadado na meia maratona

- Participam da prova corredores de 30 países diferentes. Do Brasil, são 90 corredores

- No ano passado, mais de 40.000 pessoas visitaram o Hyde Park (onde acontece a largada e a chegada) para aproveitar as festividades que acontecem ao longo do dia

- Crianças de mais de 140 escolas, inclusive do Brasil, participaram da corrida de 3K do evento

- As camisetas da Royal Parks Foundation Half Marathon são feitas de poliéster reciclado e bambu sustentável

- Todas as roupas descartadas ao longo do percurso são recolhidos e doadas para instituições de caridade

- A Royal Parks Half Marathon tem a Mizuno como um dos patrocinadores

Vou ser feliz e já volto... Mando notícias e um relato de lá!!!



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h58
[ ] [ ]


São Silvestre na Paulista: é possível* (4 outubro 2011)

Chegada da prova é transferida para o Ibirapuera, sob alegação de que a Paulista não tem estrutura para dispersão dos atletas. Especialistas contestam

Realizada há 87 anos na cidade de São Paulo, a Corrida de São Silvestre, pode passar por uma significativa mudança em seu percurso neste ano, tendo sua chegada transferida da Avenida Paulista para a região do Parque do Ibirapuera, obrigando os atletas a seguir pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em trecho de descida. A alegação das entidades envolvidas na organização da prova é a suposta falta de estrutura da avenida para a dispersão dos atletas, ao final da corrida. A dificuldade estaria na realização, poucas horas depois, do evento de Réveillon, que tem ocorrido na mesma Avenida Paulista em anos recentes, alguns quarteirões adiante do ponto de chegada.

A decisão de mudar o percurso, alterando uma das maiores tradições do evento, foi anunciada no início de setembro, como uma espécie de continuação de outra polêmica, ocorrida na edição de 2010 da São Silvestre. Na ocasião, a organização da prova entregou as medalhas de participação no kit do atleta, que habitualmente continha apenas o número de peito, o chip e a camiseta da prova. A razão para esta distribuição inusitada de medalhas antes da competição estava justamente na dispersão, pretendendo maior agilidade no escoamento de atletas, para não conflitar com o público do Réveillon.

Embora nem a empresa que organiza a prova, nem a Fundação Cásper Líbero (criadora do evento), nem a emissora que detém os direitos de transmissão para TV, nem a Prefeitura de São Paulo tenham se manifestado publicamente sobre a polêmica gerada com a mudança do trajeto, especialistas de vários segmentos contestam a alegação de que é impossível fazer a dispersão de 25 mil atletas sem comprometer o evento que acontece horas depois.

É fácil reverter o nó da dispersão

Armando Santos, diretor executivo da Corpore (Corredores Paulistas Reunidos, entidade que organiza em torno de 25 corridas de rua por ano) questiona a alegação da organização. "É uma equação extremamente simples: área de dispersão e gente. Se, na chegada, não há largura suficiente para essa dispersão, não há problema. Basta fazer um corredor vertical com grades até um lugar mais largo. A Avenida Paulista permite isso, mas também é possível encaminhar a dispersão para as Alamedas Campinas e São Carlos do Pinhal, que já ficam interditadas, por conta do bloqueio da Avenida Brigadeiro Luís Antônio”, comenta.

Ele acrescenta que a maior agilidade na dispersão pode ser obtida com o aumento do número de pessoas recebendo os atletas, entregando água, isotônico e a medalha. Esta medida, certamente, aumenta o custo do evento. “Talvez esteja aí o problema”, aponta Armando, trazendo exemplos de provas com número maior de participantes que lidam de forma eficiente com o nó da dispersão. “Na Maratona de Nova York, há quase um quilômetro de dispersão, com voluntários impedindo que atletas parem nesse trecho. A Maratona de Berlim, que reúne 40 mil pessoas, não conta com uma área de dispersão gigante, mas tem muita gente atendendo e agilizando a chegada.” O fato de que estas provas são maratonas (42 km) e não uma corrida de 15 km não pode servir de justificativa para inviabilizar a chegada na Paulista.

A própria Corpore organizou provas como a Nike 10K, com 25 mil atletas, e um percurso menor que o da São Silvestre, sem registrar qualquer problema na chegada. “Porque controlamos a dispersão. Espaço x gente, eis a equação. Na Paulista, o espaço não é crítico e, mesmo que fosse, bastariam corredores verticais de grades para escoar a chegada", acrescenta Armando. "Uma prova como a São Silvestre precisa de uma área de dispersão de uns 100 metros, que me parece fácil de ter, com cerca de quinze passagens para entrega de medalha e lanche, água etc. Depois da premiação, que acontece logo, poderia ser usada a outra pista da Paulista para a dispersão também. De um modo geral, não faz nenhum sentido dizer que não dá para compatibilizar São Silvestre e Réveillon."

Pior para o ar de São Paulo

Realizar largada e chegada de uma prova em locais distintos é tarefa que requer uma logística diferenciada. João Traven, da Spiridon Eventos, comenta alguns detalhes técnicos utilizados na Maratona do Rio de Janeiro e na Corrida das Pontes, também no Rio, que seguem este modelo.

Em eventos como estes, o guarda-volumes é montado no interior de ônibus, que se deslocam da largada para a chegada antes do início da corrida. “Geralmente, usamos um percurso alternativo ao da prova para evitar mais transtornos”, comenta o dirigente. “A ideia é que os ônibus estejam na chegada antes dos primeiros colocados, mas na Corrida das Pontes tivemos alguns problemas e eles chegaram depois”, completa.

João conta ainda que se calcula um ônibus para 800 atletas, o que implicaria em 31 veículos disponibilizados para a São Silvestre, já que esse ano os organizadores abriram 25 mil inscrições. Dr. Paulo Saldiva, médico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, pesquisador da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, especialista em poluição atmosférica, critica o novo modelo. “Para levar todos os concluintes da São Silvestre morro acima (do Ibirapuera de volta à Paulista), nós vamos dar uma mensagem equivocada ao espírito do que é a mobilidade ativa”, comenta Dr. Paulo, que utiliza a bicicleta em deslocamentos urbanos e é corredor.

“Quando incentivamos caminhada, corrida e ciclismo como uma forma mais saudável e mais sustentável de movimentação, é contraditório, depois de uma festa que é um marco do esporte e da saúde, colocar um monte de ônibus para levar toda essa gente de volta. Eu corro a São Silvestre, corri no ano passado e é uma pena você acabar a festa e ter que sair de um lugar, onde você poderia sair de metrô, e ter que ir de ônibus”, analisa o médico.

Maior risco de lesões

Se o deslocamento da chegada para a região do Ibirapuera representa um dano ao ar de São Paulo, um risco praticamente igual ronda os atletas que se aventurarem a descer a Brigadeiro. Dr. Henrique Cabrita, médico ortopedista, diretor do Instituto Vita e maratonista, analisa o potencial aumentado de lesões graças ao novo percurso. “A descida da Brigadeiro, em termos de inclinação, é mais íngreme do que a subida. Estudei relatos de lesões esportivas e qualquer tipo de  prova que seja em descida representa uma sobrecarga muito grande do aparelho extensor do joelho, ou seja, na parte da frente, da rótula, da patela, do tendão patelar. E uma carga muito maior na região dos calcanhares, também. Tenho levantado artigos sobre lesões em corridas de longa distância e a incidência de lesões em corridas tipo ‘downhill’ (declive) é, em média, 50% maior do que em provas sem desníveis ou com final em ‘uphill’ (aclive).”, informa o ortopedista.

“E, se pensarmos que estamos no final de uma prova de 15 km, em que boa parte dos esportistas está completando uma corrida pela primeira vez, é muito provável que vários desses atletas sintam-se encorajados a acelrar o ritmo na descida, aumentando o potencial para lesões ortopédicas no joelho e no calcanhar.”

Como corredor experiente, que já participou de várias edições da São Silvestre, Dr. Henrique testemunha que “a maior emoção é quando a gente chega, faz toda aquela subida da Brigadeiro e vira à direita, na Paulista, tendo aquela visão da chegada, o pessoal incentivando a fazer os últimos metros depois daquela grande subida. Como maratonista, como corredor,  sem esta emoção final é uma grande perda. Chegar no Parque do Ibirapuera, como já chegam tantas outras provas, é banalizar a São Silvestre.”

No ano passado, após a polêmica da entrega de medalhas antes da prova – o que foi considerado uma desvalorização do esforço de quem, de fato, completou a São Silvestre – a organização aventou a possibilidade de solicitar nova localização para o palco do Réveillon.

O diretor geral da prova e superintendente do portal Gazeta Esportiva.net, Júlio Deodoro, comentou, depois da 86ª edição, que uma alternativa seria deslocar o palco do Réveillon para duas quadras adiante. “Melhoraria para o Réveillon e para a São Silvestre. Poderíamos usar as duas pistas da Paulista na largada e na dispersão, depois da chegada. Nessas condições, seria possível entregar as medalhas no final da prova”, declarou Júlio em dezembro de 2010.

Esta alternativa, no entanto, parece ter sido descartada pela organização, que preferiu impor a mudança do percurso, sem considerar a tradição do evento, o prejuízo ao ar de São Paulo, a conveniência e a integridade física dos atletas e nem do público, que passa a ter de escolher entre assistir à largada ou à chegada da São Silvestre.

* Este conteúdo foi produzido em conjunto pelo grupo São Silvestre na Paulista, formado por jornalistas e treinadores de corridas de rua, empenhados em buscar o diálogo com as entidades organizadoras da Corrida de São Silvestre. Apesar de reiteradas tentativas, nem a organização da prova, nem a Fundação Cásper Líbero, nem a Prefeitura de São Paulo concordaram em dialogar com o grupo sobre o tema. A intenção de buscar a melhor solução para o problema, da nossa parte, continua presente.

Alessandra Alves - Jornalista
Alexandre Koda - Jornalista
Ana Paula Alfano - Jornalista
Bruno Vicari - Jornalista
Cássio Politi - Jornalista
Erich Beting - Jornalistam
Fernanda Paradizo - Jornalista
Harry Thomas Jr. - Jornalista
Henrique Cabrita - Médico
Iberê Castro Dias - Maratonista
Martha Dallari - Vice-presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo (ATC)
Nelson Evêncio - Presidente da ATC
Ricardo Capriotti – Jornalista
Roberta Palma - jornalista
Sérgio Xavier - Jornalista
Simone Manocchio - Jornalista
Vicent Sobrinho - Jornalista
Wagner Araújo - Jornalista
Yara Achôa - Jornalista



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h56
[ ] [ ]


De sedentária a Boston (23 setembro 2011)

Em um dos primeiros treinos que fiz na vida, com a equipe MPR, lembro de ter ouvido alguns alunos comentando sobre a Maratona de Nova York, a Maratona de Berlin... E pensei: “O que essa gente está falando? Acho que estou no lugar errado!”

Com quase 10 quilos a mais do que seria meu peso ideal e dando os primeiros passos contra o sedentarismo dos últimos anos, eu nunca poderia imaginar que seis anos depois estaria inscrita na Maratona de Boston. Sim, a Maratona que exige tempo qualificatório para você possa estar na linha de largada.

E eu consegui o tal índice. Não que eu seja uma corredora super veloz, mas acho que sou esforçada. Ou pelo menos fui muito esforçada no ano passado, correndo a Maratona de Buenos Aires em 3h53m - tempo mais do que suficiente para estar em Boston em 2012 (o índice era 4 horas na minha faixa etária).

Na verdade eu nem pensava em Boston quando corri Buenos Aires. A americana sempre me pareceu uma maratona distante, para não dizer impossível. Na Argentina meu objetivo era fazer sub 4 horas. Então fui lá e fiz. Foi uma das maiores alegrias da minha vida de corredora.

Em abril, precisamente durante a Volta a Ilha em Floripa, em um papo com minha amiga Andrea Longhi, ela sugeriu que eu olhasse o site de Boston porque achava que meu tempo poderia valer.

Olhei o regulamento, li, reli, mandei e-mail para minha outra amiga, a Fernanda Paradizo, para saber se eu tinha entendido direito as regras... E, sim, meu tempo em BsAs, conquistado em 2010, valia para a inscrição em 2012 na minha categoria. Naquele dia marquei na agenda: 16 de setembro - inscrição para a Maratona de Boston.

E o dia chegou. Inscrição feita de maneira tranquila. Era só aguardar a checagem do tempo.

Na segunda-feira, dia 19, recebi o e-mail confirmando: “Dear Yara A. Achoa, this is to notify you that your entry into the 116th Boston Marathon on Monday, April 16, 2012 has been accepted”.

 

Passei o dia rindo a toa. Comemorei. Senti orgulho de mim mesma. Afinal, minha vida é muito, mas muito corrida e me manter (e evoluir) no esporte não é tarefa fácil. Também não tenho o biotipo ideal para a corrida e nem tenho grande histórico esportivo (corro só há seis anos, antes mal frequentava uma academia).

 

Trabalho de 10 a 12 horas por dia. Tenho uma casa pra administrar. Tenho dois filhos, um namorado, uma mãe, uma cachorra – todos precisando de um pouco de atenção. Minha lista de tarefas diárias é enorme e o tempo “conspira” contra.

 

Faço verdadeiros malabarismos para manter minha corrida – porém às vezes é muito difícil cumprir treinos. Esse ano, em especial, a coisa deu uma desandada. Mas eu não desisto. Me angustia essa correria toda, essa falta de rotina para os treinos, esse rearranjar de horários diariamente, mas vou fazendo o que posso. Só sei que, apesar de tudo, estou em Boston.

A Maratona de Boston é especial. Comparo como um vestibular difícil de passar. E eu passei. Resta agora “estudar” direitinho nos próximos sete meses e curtir mais essa emoção.

 

2011 foi um ano de ajustes na minha vida – e ainda não terminei tudo o que precisa ser ajustado. Um desses ajustes foi ter desistido da Maratona de Berlin e optado pela Meia Maratona de Londres, que é daqui duas semanas. Esse será o ponto alto do ano em minhas corridas. Mas Londres merece um post especial. Semana que vem eu conto mais sobre minhas expectativas para lá.

 



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h53
[ ] [ ]


Para que a tradição da São Silvestre seja respeitada (15 setembro 2011)

A São Silvestre, corrida com 87 anos de existência, representa o auge da celebração do esporte corrida de rua. Reúne atletas profissionais e amadores de todo o país e do mundo, que comemoram o final de mais um ano correndo pelas ruas da cidade de São Paulo.

É um evento único, com caráter participativo e competitivo. É festivo para as centenas de corredores fantasiados e outros tantos que ali estão pelo prazer de correr e de se superar, ao mesmo tempo em que é uma competição de nível internacional certificada pela IAAF. Une, como nenhuma outra corrida, paixão pelo esporte e performance.

Se entre amadores a SS estimula a busca pela qualidade de vida e o desejo de superação, para os profissionais significa a chance de se destacar. Ela revela talentos do esporte, abre portas para novos atletas e planta o sonho em muitos outros. Vencer a São Silvestre representa estar no Olimpo do atletismo.

Mas São Silvestre é muito mais do que uma corrida de rua, talvez seja o único evento esportivo onde o contemplativo, gratuito, reúne milhares de pessoas no Brasil. Tanto é que a televisão quer transmitir. A história da prova, com grandes atletas, a celebração do fim do ano, os esguichos de água no Minhocão e rua Olga, as pessoas no trajeto são situações exclusivas da SS. Somam muita gente, apoios importantes. Isso também, a nosso ver, é motivo para a preservação de suas características pela municipalidade.

Que outra prova é tão querida e está tão presente no imaginário das pessoas, corredores ou não?

Tudo, claro, é resultado de anos de esforços. Ao longo do tempo, a São Silvestre fez seus ajustes de percursos e horários. Mas conseguiu manter reunidas excelentes qualidades daquilo que há de mais difícil para um evento esportivo: tradição, data fixa de realização (o que permite a organizadores e atletas fazer todo um planejamento), cobertura de mídia e ser um objeto de desejo do consumidor.

Tradição, porém, é uma palavra que está sendo descartada da versão 2011 da prova. Em nome da “modernidade”, da “renovação” e do “conforto”, foi anunciado que a chegada será transferida da Avenida Paulista para o Parque do Ibirapuera. Decisão tomada por parte dos organizadores, sem debate ou qualquer consulta aos verdadeiros donos da prova: nós, os corredores.

Nós, jornalistas corredores e profissionais da corrida, estamos aqui empenhados em fazer com que a tradição seja respeitada e a chegada da São Silvestre seja mantida na Avenida Paulista.

Com argumentos que vão desde a manutenção da tradição, passando por questões de logísticas (somos corredores e conhecemos bem a dificuldade de se largar em um local e chegar em outro, por exemplo) e até sugestões técnicas, estamos abertos ao diálogo.

Se você também é a favor da discussão saudável, tendo em vista a manutenção da tradição da São Silvestre, preservando sua alegria e sua segurança, junte-se a nós.

Comissão de jornalistas e profissionais da corrida

Alessandra Alves, jornalista

Alexandre Koda, jornalista

Ana Paula Alfano, jornalista

Bruno Vicari, jornalista

Cássio Politi, jornalista

Erich Beting, jornalista

Fernanda Paradizo, jornalista

Harry Thomas Jr., jornalista

Martha Dallari, vice-presidente da Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo (ATC)

Nelson Evêncio, presidente da ATC

Ricardo Capriotti, jornalista

Sergio Xavier, jornalista

Simone Manocchio, jornalista

Vicent Sobrinho, jornalista

Yara Achôa, jornalista

* O texto é coletivo, com ideias discutidas por todos nós, que assinamos e combinamos de publicar em nossos blogs e veículos a partir das 7 horas da manhã.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h52
[ ] [ ]


São Silvestre e a mudança do percurso: pronto, falei! (10 setembro 2011)

Eu e meu amigo e "vizinho de blog" Vicent Sobrinho decidimos finalmente nos manifestar.  Embora eu seja uma corredora da nova safra e ele um personagem vivo da história da corrida de rua, temos sentimentos muito próximos em relação ao esporte.

No post abaixo está a minha visão.

A dele está aqui:  São Silvestre – Tradição e história enterrada no Obelisco!

***

No comecinho da noite do dia 1º de setembro, quando comecei a ler sobre a mudança do percurso da São Silvestre – com chegada no Parque do Ibirapuera e não mais na Av. Paulista -, pensei: “agora é que acabou mesmo”. Acabou a tradição, acabou o charme da prova.

Começar e terminar a corrida na mais paulista das avenidas é, sim, uma tradição, uma marca, um diferencial, como queiram chamar.

Sei que em seus 87 anos de existência a SS teve outros percursos. E uma vez, no começo dos anos 80, quando ainda era realizada à noite, o ponto final foi no Estádio do Pacaembu. A mudança, porém, não agradou e o local de chegada voltou para a Paulista.

Não se trata de mais uma corrida, mas de “a corrida”. A São Silvestre é a prova mais tradicional do atletismo do Brasil. É típica, querida, endeusada. Está no imaginário das pessoas, carrega lembranças. O corredor reverencia e respeita a prova, por mais que ela tenha um caráter festivo.

Organizadores argumentam falando em segurança. Mudam a chegada (e no ano passado entregaram a medalha antes da corrida) “pensando na segurança do corredor”. Ao mesmo tempo falam em aumentar o número de inscritos. Milhares de pessoas a mais circulando pelas ruas não compromete em nada a segurança, né? Só para eu entender...

Lembrei que no ano passado, na coletiva de imprensa realizada em dezembro, os organizadores já sinalizavam com mudanças no percurso. Na época disseram que haviam enviado projeto para a CET, que só não foi aprovado porque não houve tempo hábil para tal. Agora dizem que foi a CET que quis mudar o percurso...

De quem quer que seja que tenha partido a ideia, imagino que não tenha havido a menor preocupação com o sentimento do corredor e com sua reação – afinal, que bobagem isso, não é mesmo?

Ah... Outra coisa que lembrei... Também no ano passado, quando questionei a um dos organizadores se não havia mesmo alternativa para que a medalha fosse entregue depois da prova, visivelmente irritado ele respondeu: “me apresente uma alternativa, venha você organizar a prova”. Em tempo: até fizemos algumas sugestões, que foram ignoradas, claro.

Tivemos (eu, você, qualquer corredor e os organizadores) esse ano inteiro para conversar civilizadamente. Alguém quis ouvir sua opinião? Houve ao menos proposta de diálogo? Foi realizada alguma pesquisa com corredores?

Acho que a solução mais fácil é criar um regulamento e dizer: “são essas as regras, se você quer, ótimo. Se não quer, tem quem queira.”

Sei que tem gente que vai dizer “se você não quer mais correr essa prova, não corra”.

Depois da patetada da organização no ano passado estava desanimada mesmo. Podia deixar a polêmica para lá e simplesmente dizer "não tenho nada a ver com isso". Mas como deixar pra lá esse assunto? Me tiraram mais uma vez o prazer de correr uma prova que eu adoro e eu não vou falar nada? Mesmo que seja apenas como um desabafo, aqui nesse espaço que é o meu blog, resolvi me manifestar.

Uma coisa eu tenho certeza: não sou parte de uma meia dúzia de descontentes. Prova disso aqui estão outros textos muito bem escritos por jornalistas corredores (e as manifestações de seus leitores), gente que entende do assunto, que corre e vibra pelo esporte.

Confira:

A morte da São Silvestre, por Erich Beting

São Silvestre 2011: tradição no lixo, por Bruno Vicari

SÃO SILVESTRE 2011, por Ricardo Capriotti

Sonata da última corrida, por Alessandra Alves

São Silvestre – Tradição e história enterrada no Obelisco!



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h50
[ ] [ ]


... tive de optar por uma (4 agosto 2011)...

Quem iria imaginar um tempo atrás que, em pleno inverno brasileiro, em um final de semana do frio e cinzento mês de agosto, fôssemos enfrentar um “congestionamento” de corridas.

E três boas corridas! No próximo final de semana acontecem três grandes eventos.

No sábado, 6, em Bombinhas, Santa Catarina, será realizada a terceira edição da K42 Adventure Marathon. Em uma das regiões mais bonitas do país, a prova entre trilhas, morros e praias caiu no gosto de quem curte uma aventura e tem como filosofia de corrida “quanto pior, melhor!” Dá para fazer os 42K sozinho ou em dupla e ainda há opção para iniciantes, com percurso de 12K.

Experimentei essa adrenalina no ano passado (em 2010 a prova foi realizada no mês de maio), na categoria dupla mista. E digo que foram os 21K mais insanos, difíceis e maravilhosos de todos os tempos.

Bombinhas

No domingo, 7, no Espírito Santo, com largada na Praia de Camburi, em Vitória, e chegada na Fábrica de Chocolates Garoto, em Vila Velha, acontece a 10 Milhas Garoto. Em sua 22ª edição, é um dos maiores eventos da região e uma importante prova da categoria, que já acumula mais de 68 mil participantes ao longo desses anos. Atletas de elite nacionais e estrangeiros – como nosso melhor fundista, Marilson Gomes dos Santos - costumam agitar a competição.

10 Milhas Garoto

Também estive por lá no ano no passado e adorei o lindo percurso de 16,090 km, com direito a um trecho de subida de dois quilômetros na Terceira Ponte, cartão postal da cidade. E que visual: o mar verdinho, o Convento da Penha no alto do morro, a cidade linda. Entrou para minha lista de favoritas.

E finalmente em São Paulo, também no domingo, 7, acontece a terceira etapa do Circuito Golden Four Asics. São meias maratonas intituladas como “puras”, ou seja, planas, com percursos voltados para a performance. A etapa inaugural aconteceu no Rio, em junho, e causou alvoroço entre os atletas, encantados com o padrão internacional criado pela organização. E a história se repetiu em BH, em julho. A quarta etapa será realizada em novembro, em Brasília.

O que a G4 tem de diferente? Largada às sete da manhã, postos de hidratação com água e isotônico a cada 3K, premiação para atletas de elite e medalha diferenciada (folheada a ouro) para os 100 primeiros colocados (os outros cinco mil participantes também levam medalhas bacanas, fique tranquilo).

No dia anterior, na retirada do kit do atleta, ainda acontece a Expo, um espécie de “parque de diversões para corredores”, com palestras com treinadores, fisiologistas, ortopedistas, nutricionistas, mesa redonda com atletas, massagens e avaliações físicas, além de um buffet de massas para que garantir uma dose extra de carboidrato para o desafio do dia seguinte.

Eu queria participar das três. No ano passado, havia prometido voltar para fazer solo a K42, bem como correr novamente as 10 Milhas. Só não imaginava que seria tudo ao mesmo tempo agora. E ainda me aparece essa tentadora meia maratona.

Fui convidada para Bombinhas e para as 10 Milhas, mas acabei decidindo pela novidade. Vou experimentar os 21K da G4 em São Paulo, com largada na Ponte Estaiada, uma esticadinha lá pelos lados da USP e chegada no Jockey Club.

E estou ansiosa pela prova.

Retomei seriamente meus treinos na semana passada, então não sei como será meu desempenho. Só sei estou louca de vontade de correr.

É bom estar de volta.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h48
[ ] [ ]


... estou de volta (2 agosto 2011)...

Amanhã faz dois meses que meu pai morreu. E desde então, por vários e vários momentos, tive a sensação de estar encarando “morros malditos”, com subidas que parecem nunca terminar.

Não são as dores da saudade e os problemas em si – as dificuldades do dia-a-dia, coisas normais na vida de qualquer pessoa – que me tiram o rumo. Mas algumas incertezas, aquelas coisas que você tem que resolver e não sabe como. Me angustia a espera, a dúvida, as ações que não dependem só de mim, mexer em coisas que estavam “enraizadas”. Me angustia a falta de tempo para resolver tudo e para dar a devida atenção a quem precisa – inclusive eu mesma.

Tudo isso, claro, reflete em todas as áreas da sua vida. E afetou minha corrida também. Nos últimos dois meses meus treinos foram inconstantes. O corpo apresentou sinais de cansaço. A cabeça passou a providenciar as desculpas. E se você não reage, é muito fácil desistir. Esbocei algumas reações – treinava em dias muito frios, me achando o máximo, mas depois ficava dias sem correr.

Nesse tempo, talvez até um pouco antes, desisti definitivamente de correr a Maratona de Berlin (eu me inscrevi em janeiro, pois essa era minha meta para 2011). Aliás, desisti de correr qualquer maratona esse ano.

Só que antes de pensar em um novo objetivo, eu precisava reagir, me esforçar dia após dia tanto para retomar o ritmo da corrida como para organizar minha vida. Na semana passada dei um basta nesse “chororô”.  Comecei a fazer musculação. Hoje voltei para os treinos de pista com meu treinador, Marcos Paulo Reis.

E já tenho novos objetivos que estão fazendo meus olhos brilharem. Na verdade eles começaram a ser traçados nos últimos meses, mas estão ganhando consistência agora.

Bom, para 2011, minha modesta meta será correr a Meia Maratona de Londres – a ROYAL PARKS FOUNDATION HALF MARATHON, dia 9 de outubro, abaixo de duas horas. Meu treinador diz que será “moleza”. Não tenho tanta certeza se será fácil, mas eu vou atrás disso. E quero fazer uma bela matéria por lá!

E já que esse ano “pulei” a maratona, em 2012 ela tem que ser especial. E será: Boston!

Sim, eu sei que para correr Boston você precisa de índice e tal... Mas não é que eu tenho o tal índice? A minha performance na Maratona de Buenos Aires, no ano passado, me credencia a Boston em minha faixa etária, com folga de cinco minutos.

Não corri BsAs pensando em índice, nem passava pela minha cabeça. Mas já que eu consegui a tal marca, por que não sonhar com Boston, né? As inscrições abrem em setembro: no primeiro dia para quem tem 20 minutos abaixo do índice; no segundo dia, para quem tem 10 minutos abaixo; no terceiro, para quem tem 5 minutos abaixo (meu caso). Depois, se sobrarem vagas, para quem tem acima disso até o índice.

Não é uma certeza, apenas uma possibilidade. Mas vou correr atrás dela :)



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h47
[ ] [ ]


... de corredores para corredores (13 julho 2011)...

No sábado passado, dia 9, tive a honra de participar de um evento no SESC Santana, em SP, ao lado de outros amigos jornalistas corredores, o Vicent Sobrinho e o Cassio Politi, e o grande atleta Vanderlei Cordeiro de Lima.

 

 

Foto: Augusto Gonçalves

 

Marcando o lançamento do Circuito de Corridas de Rua dos SESC, a ideia era debater o papel do jornalista na cobertura dos eventos de corrida  e falar um pouco das nossas experiências e aventuras nesses dois tão fascinantes universos - o jornalismo e a corrida.

Como eu disse lá, acredito no "jornalismo verdade". Ou seja, não basta escrever sobre corrida, tem que viver a corrida. Ideia que a Contra Relógio sempre defendeu, tanto que seu lema é "uma revista para corredores, feita por corredores".

E eu faço isso há quase seis anos. Escrever sobre corrida é mais que trabalho, é uma paixão.

Na plateia, além dos corredores que foram nos prestigiar, estavam outros jornalistas corredores: a Fernanda Paradizo, o Harry Thomas, o Rodrigo Cury e o Wanderlei de Oliveira (sim, além de um dos melhores treinadores do Brasil, ele também é jornalista!)

Sei que foi muito gostoso dividir um pouco da minha experiência. Se deixassem, a gente ficava horas e horas falando de corrida.

Em seguida a nosso bate-papo, entrou em cena o Vanderlei Cordeiro de Lima. Um sucesso!

Encerrei minha participação com uma frase da escritora e apresentadora Fernanda Young, que retirei de um artigo que ela escreveu certa vez. Gosto dessas palavras porque têm muito do que a corrida representa para mim:

“Eu corro porque... nunca tendo sido gostosa, correndo, jamais ficarei caída.

Dizem, os invejosos, que correr envelhece. Bom, o tempo envelhece. E eu prefiro enfrentá-lo na minha melhor forma.

Corro, acima de tudo, porque gosto. Às vezes, chego quase a chorar, tamanha a emoção. A sensação é de que estou deixando o que fui para trás; e meu corpo agradece, renovado.

Eu corro porque acho bonito gente correndo, e quero que meus filhos vejam que todos somos capazes de mudar.

E porque não suporto fazer regimes – é isso: corro porque adoro comer pizza à noite”



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h45
[ ] [ ]


... I felt so much love this morning (30 junho 2011)...

Hoje fiz um treino que beirou o transcendental. Nem olhei planilha, ia rodar o que me desse na telha. Duas voltas no lago do Ibirapuera, um pouco mais talvez...

Estou numa fase um tanto “complicada” da minha vida, mas quando dei os primeiros passos no Ibira tudo se transformou. Sabe uma felicidade que vem não sei de onde? Foi isso que senti.

No iPod, uma das primeiras músicas que tocou foi "My Pledge Of Love", cantada pelo Nando Reis: “I woke up this morning baby / I had you on my mind / I woke up this morning baby /You know that I felt so fine / You know I need you…

Power song total pra mim.

Não sei descrever em palavras todas as sensações que senti. Sei que olhava o céu cinza de SP, o lago do parque, as pessoas e como diz ainda a letra da canção, I felt so much love this morning... (Eu senti tanto amor essa manhã...)

Um pouco mais adiante, toca "Viva La Vida" – a minha música!
Não tem como não ouvir essa música do Coldplay e não lembrar da Maratona de Nova York. Explico rapidamente: em meus preparativos para essa prova, em 2008, eu a escutava direto e durante a maratona, ao pisar na 1ª avenida, por volta do km 25, a banda que ali estava tocou justamente "Viva La Vida".

Leia aqui sobre minha Maratona de Nova York

De tanta felicidade que estava sentindo, cheguei quase a chorar – pode parecer exagero, mas as emoções que as lembranças despertaram foram intensas demais.

Lá pelas tantas ainda toca "Mrs. Robinson", na versão do Lemonheads. É ouvir para acelerar.

Acho demais o clipe deles (assista aqui). Mas essa música também me traz boas sensações. Cantada por Simon & Garfunkel, é tema do filme (antigo) "A Primeira Noite de um Homem". Adoro a cena final, quando um jovem e ousado Dustin Hoffman invade o casamento da garota que ele ama e “acaba com tudo” (veja aqui).

Sei que todas essas emoções, sensações e lembranças ajudaram a deixar pelo caminho as angústias, incertezas e desesperanças dos últimos dias.

A corridinha de hoje não resolveu minha vida, mas deu um ânimo fenomenal para enfrentá-la.

(Em tempo: corri 10K , em 55 intensos minutos)

Se você já viveu uma experiência transcendental com a corrida, compartilhe! Eu vou gostar.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h44
[ ] [ ]


... vi a Maratona de SP na perspectiva do km 31 (21 junho 2011)...

Acredito que um dia farei a Maratona de SP, mas ainda não tive coragem. Desde sempre ouvi dizer que é uma prova dura e admiro quem encara esses 42K na terra da garoa – que no último domingo amanheceu com sol, beirando os 20 graus na largada, às 8h40 da manhã.

Mas não consigo ficar longe dela. Pelo terceiro ano consecutivo vou de expectadora, vejo amigos passarem e me emociono com as expressões de quem completa a prova.

Na primeira vez, me posicionei logo após a saída do Túnel Tribunal de Justiça, por volta do km 40.

No ano passado, corri a prova de 10K e depois fiquei na chegada, admirando quem cruzava a linha final.

Este ano, a pedido de um amigo – o Alexei Caio - que precisava de apoio, fui para o km 31, lá na USP.

Na “lancheira”, uma mexerica fresquinha e Pepsi gelada para entregar a ele – que é um diabético super consciente e se cuida como ninguém.

*** Conheça um pouco mais sobre o Alexei em:
As aventuras radicais de um diabético ***

Fui de bicicleta com o Guto, parceiro total.

Para chegarmos ao ponto marcado, fomos em sentido contrário ao dos corredores. Tivemos a oportunidade de ver as primeiras mulheres passando pela avenida JK e depois os homens.

Entramos no túnel Jânio Quadros, quando ainda passavam os primeiros corredores. Vazio, silencioso, frio.  Que solidão! Há que se ter muita determinação para encarar aquele trecho.

Depois, já na rua em direção à USP, havia um pouco mais de público, animando o percurso.

Enfim encontrei o km 31 – ponto bem agradável na usp - e lá me posicionei para esperar o Alexei.

Que vontade estar ali entre os corredores... A todo o momento lembrava das minhas maratonas – em especial da mais recente, no ano passado, em Buenos Aires.

Acho que até o km 30, se você treinou direitinho, dá para ir numa boa. Os 12 km seguintes, para mim é superação. Falta tão pouco e ao mesmo tempo parece tão longe a chegada... É a hora em que surgem as dores e as dúvidas.

O dia estava bonito em SP, a temperatura agradável. Mas para quem estava correndo, o sol do outono paulistano devia estar minando as energias – acho que muita gente teve de refazer os planos.

Acho lindo ver gente correndo. Ali, no 31, o observatório foi perfeito. Vi gente determinada, em passos firmes e fortes. Vi muitos corredores caminhando. Vi pessoas com dores. Vi gente que olhava quase que pedindo uma palavra de apoio.
Um olhar, um sorriso, um cumprimento direcionados aos maratonistas às vezes pareciam injetar um pouco de ânimo.

Por vezes me colocava na pele daqueles corredores e revivia emoções das minhas quatro maratonas. Certamente meus olhos brilhavam, porque eu acho muito, muito, muito legal correr uma maratona. Não canso de repetir: é uma das maiores emoções que você pode ter na vida.

Tive a oportunidade de ver e dar um grito de incentivo a vários amigos: Paulo Augusto, Iberê, Edu, Joel, Samuel, Emerson, Tomiko, Fausto... Reconheci outros tantos corredores habitues de provas, além de me divertir com aqueles que são verdadeiros “personagens”.

Lá pelas tantas recebi um sms do Alexei, dizendo que estava no km 24, e vinha em ritmo mais “sussa” do que o planejado.

Beleza, estava ali o esperando, com sua fruta e seu refri. Logo ele chegou, mediu sua glicemia, fez seu “piquenique” e seguiu adiante.

Foi legal poder ajudar 0 Alexei, com direito a fotinho (abaixo).

Adorei a experiência do km 31, o começo do fim da maratona.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h41
[ ] [ ]


... o “morro maldito” de Floripa (17 junho 2011)...

É, eu sei. Já foi faz tempo... Mas para quem não leu na revista desse mês, aqui vai o breve relato da subida do "morro maldito" na Volta à Ilha 2011, em Floripa, no final de abril.

E outro dia, longe de montanhas ou asfalto, vivi sensação parecida a de enfrentar "o morro". Mas é assunto para outro post.

"O morro maldito é meu!"

No dia em que a equipe imprensa se reuniu para definir os trechos da Volta à Ilha fui escalada para fazer o Morro do Sertão, carinhosamente apelidado de “morro maldito” e considerado o “mais difícil” da Volta à Ilha. Abracei a ideia com um misto de orgulho e medo. Por mais que eu estivesse acostumada com provas de montanha, sabia que cada morro era um morro. E do “maldito” já tinha ouvido os mais assombrosos comentários. De concreto, sabia que seriam 15 km divididos em uma subida absurda e uma descida quase vertical.

Por fazer o morro, só me coube antes um pequeno trecho de 5 km, bem no início do dia. Corri por volta de oito da manhã e tentei controlar a ansiedade até que, por volta das três da tarde, um integrante da equipe anunciou: “lá vem vindo o Leandro. Chegou sua hora Yara!”

Veja aqui o vídeo que o @CassioPoliti gravou na hora da minha largada para o morro:

 


Eu disse que estava tranquila. Mas não sei se estava mesmo. Só sabia que tinha que encarar os 15 km insanos que estavam pela frente. Felizmente o sol já tinha dado uma amenizada. Parti, pegando um trechinho de praia e logo acessei uma estradinha solitária que conduzia ao morro.

Assim que avistei o “maldito” meu desejo foi não pensar em nada. Queria que a próxima hora passasse rápido, para me “livrar” logo daquilo. E lá fui eu, correndo quando podia e caminhando boa parte do percurso, ultrapassada por muitos homens. Sim, só via homens fazendo o morro!

A subida foi diferente de todas as outras que já encarei. Cheguei a sentir desânimo e raiva por achar que não estava dando conta, mas também agradecia a oportunidade de encarar aquele trecho tão temido e que me fortaleceria um pouco mais de corpo e alma.

“Faltam 400 metros de subida, depois é só descer”, anunciou uma pessoa da organização. Pareceram os 400 m mais longos da minha vida. E o “depois é só descer” na verdade era um quase despencar. A descida não foi nada fácil. Me larguei como pude, tentando também recuperar um pouco do tempo perdido na subida.

Leia também: Revisitando as Montanhas

Ao final do morro seriam mais 5 km de asfalto e pronto! E no asfalto eu poderia dar uma recuperada. Mas quem disse que dava. Tive câimbras fortes nas panturrilhas e administrei as dores para não ter que parar.

Faltando uns 2 km para chegar, a respiração ficou mais curta e veio uma grande vontade de chorar. Era algo parecido com que senti quando corri minha primeira maratona. Eu tentava identificar o porquê daquela emoção e não chegava a uma conclusão. Ordenei a mim mesma que parasse com aquilo!

Finalmente os últimos metros. Coração na boca. Entreguei o bracelete de revezamento ao próximo integrante da equipe. E chorei. O Vicent Sobrinho veio me fotografar e eu reagi dizendo que não queria... Precisava ficar um pouco sozinha e entender qual o motivo daquela minha reação. Na hora pensei que era raiva – pelas dificuldades, pela performance que achei que não tinha sido tão boa (completei em 1h41m e sei que não foi ruim), pelo  morro, sei lá..... Mas acho que foi um choro de alívio, de lavar a alma, de superar mais um obstáculo, quem sabe até de felicidade. E, quer saber, faria tudo outra vez.

Leia também o Relato da Minha Primeira Maratona, em 2008



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h39
[ ] [ ]


... desbravei a Ponte Rio-Niterói (20 abril 2011)...

Antes de começar o relato, aviso: se eu for levar em consideração o tempo final, perdi e perdi feio o “Desafio dos Achôa”, brincadeira que criei entre meus irmãos que também correram uma Meia Maratona recentemente. O Carlos fez a Meia da Corpore (SP) em 1h58m; o Alfredo fez a Meia de Santiago (Chile) em 1h57m; e eu fiz a Corrida da Ponte (RJ) em 2h13m.

Mas levando em conta que eu corri na Ponte Rio-Niterói, com longas subidas e sob uma temperatura que beirava os 40 graus, acho que estamos equivalentes. Cada um teve o seu mérito 

RIO 40 GRAUS

Às sete da manhã, na concentração em frente ao MAM, em Niterói, o sol já mostrava que não estava para brincadeira. Minha intenção era fazer os primeiros quilômetros a um ritmo de 5’50”, diminuindo aos poucos até chegar a metade da prova e ver como estaria me sentindo, para então manter ou acelerar. O plano A era terminar os 21,4K da Corrida da Ponte abaixo de duas horas. Mas ao longo do percurso foi preciso acionar um plano B, C, D...

Larguei cheia de adrenalina. Os dois primeiros quilômetros, antes de pegar a ponte, foram exatamente iguais: pace de 5’35”. Sabia que estava acelerada e diminui, encaixando em 5’40” nos próximos três. Foi no quilômetro cinco – assim como aconteceu nas duas vezes que corri a Volta da Pampulha, também sob forte calor – que me passou pela cabeça desistir.

Embora eu estivesse indo bem até ali, o sol começou a minar minha energia. Não era falta de condição física, mas algo que abalava o psicológico. E não teve a ver com o fato de eu ter saído um pouco mais forte.

Nos dois quilômetros seguintes, já em subida, consegui ir mais devagar. Mas logo depois uma descidinha animou e eu fechei o oitavo em 5’14”. Completei os 10K em 58 minutos e comecei a achar impossível a sub-2. O plano B entrou em ação: terminaria em pelo menos 2h04.

Com a sensação de estar em um forno, decidi que não iria me matar. Um tempo excelente não daria para fazer mesmo, então a ideia passou a ser manter seis minutos por quilômetro. Por volta do quilômetro 10, parei para tomar o meu carboidrato gel tranquilamente, bebi água, descansei um pouco e segui adiante.

O trecho mais complicado foi do quilômetro 12 ao 18. Nesse pedaço, fazendo algumas contas com o pouco de capacidade de raciocínio que ainda me restava, o plano C passou a ser fechar por volta de 2h08m.

Tentava de tudo para me distrair. Mirava um corredor e buscava chegar até ele; andava um pouco e apreciava a paisagem; pensava que quanto mais rápido eu fosse, mais rápido eu terminaria aquele sufoco; pensava nas pessoas que eu amo e que estavam me esperando; pensava que havia perdido a “disputa” que criei com meus irmãos; repetia meus mantras de motivação (“eu sou forte, eu tenho foco”); tentava enganar minha mente dizendo que o dia estava fresco e eu não estava sentindo calor...
Cheguei a rezar!

E o sol cada vez mais forte. Vi muitos corredores sofrendo, alguns sucumbindo ao calor e precisando de atendimento médico. Por um instante fiquei com medo de ter um apagão também.

Se de longe a ponte impressiona, de perto, desbravando-a a pé, ela parecia não terminar nunca. A essa altura, o plano passou a ser simplesmente chegar. Um papo rápido com outro corredor, por volta do quilômetro 19, foi salvador. Por quase dois quilômetros, não vi o tempo passar.

Já reconhecendo as redondezas do Aterro do Flamengo, local da chegada, o que eu tinha de fazer era me livrar daquela expressão de sofrimento e sorrir para as fotos. Nem dei sprint. Aliás, olhei no cronômetro e reduzi para chegar em exatas 2h13m.

Depois da corrida, o que mais se ouvia era “foi a prova mais difícil que já fiz”. Sim, foi bem difícil. Mas foi boa demais!

No final, acho que até não fui tão mal. Estou percebendo que gosto de provas que exigem de mim mais do que condição física. Essa coisa de trabalhar a resiliência - capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças – é muito legal e importante para a vida.

QUE VENHA A VOLTA À ILHA

Pois é, daqui 10 dias estarei em Floripa. Este ano com a equipe ASICS TIGER, formada por amigos jornalistas. Por gostar das montanhas e curtir o gênero “quanto pior, melhor”, provavelmente farei o Morro Maldito. Mas isso é assunto para outro post.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h37
[ ] [ ]


... o desafio dos “Achôa” (10 abril 2011)...

Eu tenho dois irmãos que correm.

Alfredo já é corredor há mais tempo do que eu. Na verdade ele sempre foi malhador – frequenta academia desde sempre. E lembro que quando comecei a fazer minhas primeiras provas ele me deu algumas dicas e me mandou tomar carboidrato em gel, quando eu nem sabia o que era isso. Nunca foi de fazer muitas provas – e as que fazia sempre eram de 10K. No ano passado ele se lesionou e se afastou um pouco das corridas, mas não da academia. Esse ano retomou o ritmo. Outro dia, de repente, ouvi minha mãe comentar: “O Alfredo vai para o Chile, correr”. Não sabia que ele estava se preparando para correr uma Meia Maratona. E fiquei na expectativa para saber seu resultado. Completou a prova em 1h57m.

Carlos começou a correr depois de mim – para perder peso. Entrou em forma, participou de algumas provas. Mas parou um tempo e logo engordou de novo. Acho que da metade do ano passado para cá voltou a correr (com um grupo de amigos) e emagreceu de novo. Nos cruzamos em algumas provas de 10K. Semana passada perguntei qual seria a próxima corrida e ele respondeu: “A Meia Maratona da Corpore”. Também não sabia que ele estava se preparando para encarar os 21K. E também fiquei na expectativa para saber seu resultado. Completou a prova em 1h58m.

Lembro que minha primeira Meia eu fiz em 2h11m. E eu ralei muito para fazer uma sub-2, no ano passado no Rio (1h52m). Meus irmãos, com pouca experiência na distância, fizeram fácil sub-2.

Na semana que vem será minha vez: farei a Corrida da Ponte (21,4K - alguns metros a mais que uma Meia Maratona). Estava pensando em fazer na boa, na base de 6 minutos por quilômetro, com perspectiva de completar em mais ou menos 2h06m. Mas diante dos resultados dos meus irmãos, pensei: “Não vou ficar atrás, quem eles pensam que são (rsrs). Tenho que concluir em menos de duas horas”.

Eles são homens e um pouco mais novos que eu. Mas estou achando divertida a ideia de “competir” com eles.

O “Desafio dos Achôa” está lançado.

Quanto eu vou cravar na Corrida da Ponte?

Façam suas apostas...



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h36
[ ] [ ]


O que você já fez por você hoje? (8 abril 2011)

Ontem entrevistei um cardiologista especialista no coração feminino, o Dr. Roque Marcos Savioli. Uma conversa ótima!

Ele alertou para o fato de que nós, mulheres, não estamos dando a devida atenção a nosso coração - coração físico, emocional e espiritual.

Explicando rapidamente o que ele falou:

O coração em seu aspecto físico: a mulher procura muito menos o cardiologista do que o homem. Normalmente só vai ao médico quando já tem um problema instalado. Também minimiza qualquer desconforto físico porque parece ser mais resistente à dor e ainda porque é da natureza feminina se doar, servir, muitas vezes deixando a si mesma de lado. Ele ilustrou esse comentário contando o caso de uma paciente que acordou com uma dorzinha, achou que era problema de estômago, não quis acordar o marido para não incomodá-lo e quando finalmente decidiu ir ao médico estava infartando!

O coração em seu aspecto emocional: ele nem precisava dizer, é fácil notar como as mulheres estão muuuuuito sobrecarregadas hoje em dia. Casadas, solteiras, separadas, com ou sem filhos, autônomas ou empregadas, em altos cargos ou funções subalternas, não importa: a cobranças e principalmente a autocobrança são enormes. “Elas assumem inúmeras responsabilidades, querem dar conta de tudo... Precisam reduzir esse ritmo. O que está pegando é a falta de limites”.

O coração em seu aspecto espiritual: “Espiritualidade independe de religião. Um coração que tem fé, certamente bate melhor”, resumiu Dr. Roque.

E o cardiologista disse que sempre faz uma pergunta a suas pacientes: “Qual foi a última coisa que você fez por você?” Ele falou que a maioria não lembra.

O que eu achei legal foi ele ter feito esse questionamento para mim também. E para surpresa dele, eu respondi: “Ah, doutor, eu procuro me cuidar, ter uns momentos só para mim. Hoje, por exemplo, antes de vir para essa entrevista, eu já corri quase uma hora. A corrida é o meu momento. É o cuidar do corpo, das emoções e da alma”.


Pensando o que fazer por mim hoje...

Claro que tem dias que eu me esqueço, me deixo de lado para atender mil e uma obrigações. Mas é bom quando a gente consegue parar e refletir e ver que dá para fazer uma coisinha, mínima que seja, por nós mesmos, todos os dias.

Hoje eu não corri. Mas fiz algo por mim, escrevendo esse texto. Falar de emoções, trocar experiências também é cuidar de mim.

Para encerrar esse "post auto-ajuda" (rsrs), deixo a pergunta:

O que você já fez por você hoje?



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h34
[ ] [ ]


... revisitando as montanhas (4 abril 2011)...

Um ano depois, eis que voltei à Corrida de Montanha de Paranapiacaba.

E definitivamente ela entrou para minha lista de favoritas.

Pela experiência adquirida ao longo do ano passado estava confiante em melhorar minha performance. Mas montanha a gente nunca sabe como será o próximo passo, então o melhor era ser cautelosa.

Estava feliz como nunca. Aquele clima mágico na pequena vila – a neblina baixa e o friozinho que dão um ar de mistério e aventura -, o encontro com os amigos e a companhia mais que especial do Guto contribuíram para deixar a energia em alta.

O passado se misturava ao presente. Lembrava de muita coisa de 2010, mas ao mesmo tempo era tudo novo de novo.

Largamos na rua de paralelepípedos da vila e as emoções começaram.  Logo de cara, uma subida. Depois a estradinha de terra em descidas e subidas até acessarmos a trilha.

No ano passado perdi muito tempo ali na trilha, distraída com a natureza.

Esse ano tentei ser mais ágil, mas o caminho estava muito mais encharcado . E em alguns momentos cometi falhas de principiante errando os passos e metendo literalmente o pé na lama – a ponto de “perder” meu tênis em uma das poças (devidamente resgatado graças ao Guto).

Foi uma delícia cruzar os riozinhos - tive a impressão que estavam maiores e mais cheios – e “escalar” a pequena cachoeira.

Depois veio a estradinha de terra, cheia de fendas e também muita lama. Todo cuidado era pouco. Ainda não dava para desenvolver velocidade.

Olhava discretamente o relógio. Não estava ali para fazer tempo. Mas queria tentar completar os 12K em menos de duas horas (em 2010 fiz em 2h06m). Em alguns momentos cheguei a duvidar que isso fosse possível.

Nos 3K finais, já em uma parte de pedrisco e terra, chegou finalmente a hora de correr um pouco. Esse ano minhas pernas estavam melhores nesse trecho. E com o Guto puxando o ritmo, mandei ver. Ultrapassamos vários corredores que haviam nos passado em algum momento lá atrás. Aí a gente cresceu na prova :)

Completei em 1h57m. Feliz e já pensando nas próximas!

Corrida de montanha é uma coisa que faz você ter que pensar rápido, tomar decisões rápidas, escolher rápido onde pisar, às vezes acertando e outras errando. Exercitar esse jogo de cintura é uma das coisas que mais me atrai nesse tipo de prova.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h33
[ ] [ ]


... tirando a poeira do blog (25 março 2011)...

Pois é, estou um tanto afastada do blog.

Às vezes acontece. Bloqueio criativo.

E teve tanta coisa legal relacionada à corrida nos últimos tempos...

# 10K do Circuito Vênus, que eu fechei em 51m28s e poderia ter ido até melhor se não tivesse largado tão forte...

# 12 K na Prova de Abertura do Circuito Corpore, completados em 1h06m...

# Meu aniversário comemorado de maneira especial com amigos e corrida, no dia da prova da Corpore...

# Treinos para lá de mágicos, nos quais eu faço uma espécie de conexão com Deus - uma coisa meio inexplicável...

# Treinos na companhia de pessoas queridas...

# O teste dos 3K que eu fiz essa semana com minha assessoria esportiva, no qual cravei 13'45" - o que dá um pace médio de 4'34"  (sendo que o primeiro foi de 4'05")...

E pensando bem, mesmo com vários percalços que tem aparecido pelo caminho, estou conseguindo manter um ritmo quase constante nas minhas corridas.

Às vezes me desespero em um primeiro momento, sofro por antecipação diante dos problemas.

Depois respiro fundo, corro, penso na vida, me organizo.

E assim caminha a humanidade.

Amanhã revisito as montanhas. Farei a 1a Etapa do Circuito de Corridas de Montanha, em Paranapiacaba - primeira prova do gênero que participei no ano passado.

Será bom meter o pé na lama, se perder e se achar em meio à natureza.

E prometo que o relato não vai demorar tanto aqui no blog.



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h32
[ ] [ ]


... nem parece que você está em São Paulo (8 março 2011) ...

Considero o Parque do Ibirapuera "meu quintal". Distante 4km da minha casa (às vezes percorridos a pé mesmo, outras vezes de bike), sempre treino por lá. Adoro.

E confesso que dificilmente me desloco para outros locais para correr.

Mas na segunda-feira de carnaval, cidade vazia, fui conhecer o Parque do Piqueri, no Tatuapé.

Que lugar incrível!

Muito verde, tranquilidade... Nem parece que você está em São Paulo - e colado à Marginal!

A pista para corrida é pequena - a volta tem 1,5km -, mas é bem boa. O percurso é tranquilo, com uma leve subida e uma leve descida, e o terreno varia entre terra e pedrisco.

Fiz um treino curto, de 6km, sem me preocupar com ritmo. Queria mais é aproveitar o visual e a companhia :)


Outras informações:

Área

O Piqueri tem 97.272 m2 de área, distribuídos por: 78.942 m2 de vegetação implantada, 11.174 m2 de piso permeável, 3.637 m2 de piso permeável, 2952 m2 de lago e 567 m2 de edificações.

Flora

Área reflorestada com eucaliptos, uma belíssima alameda de sibipirunas e um bosque, com árvores nativas como palmeiras, suinãs, paineiras e alecrins-de-campina, e exóticas, como bambús e espatódeas.

Fauna

Há diversos tipos de aves. Destacam-se as espécies aquáticas silvestres que beneficiam-se da grande quantidade de peixes do lago artificial existente no parque, dentre elas o socó-dorminhoco, a garça-branca-grande e o martin-pescador.

Infra-estrutura

Bicicletário para 20 vagas, 30 bebedouros, áreas de estar, 2 comedouros para pássaros, 26 lixeiras, 32 mesas bancos, 3 sanitários.

Lazer

Pista de cooper com 1500 metros, campo de bocha oficial, aparelhos de ginástica, playgrounds.

Localização

Rua Tuiuti, 515, Tatuapé

Horário de Funcionamento: das 6h às 18h



Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h30
[ ] [ ]


... planos e mais planos (1 março 2011)...

Desde janeiro do ano passado eu pensava em correr a Maratona de Berlim, com a ideia de fazer uma maratona sub 4 horas - ideia essa lançada por um grande e querido amigo. Cheguei a entrar no site da prova, olhei, enrolei...

O tempo passou. Até que alguém me disse (acho que lá pelo mês de março): "acabaram as inscrições para Berlim".

Pensei: "que bom, pelo menos assim eu paro de sonhar".

A vida seguiu. Mil coisas aconteceram.

Decidi correr a Maratona de Buenos Aires. Foquei nos treinos e, em outubro, fui lá e fiz: 3h53m.

Voltei feliz da vida.

Ao encontrar meu amigo - aquele que deu a ideia da sub 4 horas -, ele me disparou: "Agora é Berlim em 3h45m".

Minha primeira reação foi: "você está louco!"

Em janeiro desse ano, lá fui eu de novo no site da Maratona de Berlim. Olhei, enrolei... e fiz minha inscrição!

Sim, estou inscrita há dois meses. Se eu vou efetivamente correr, já é outra história. Preciso acertar muita coisa até concretizar os planos.

Mas sei que começa assim.

A meta de 3h45m é ambiciosa. Prefiro trabalhar com a ideia de concluir entre 3h50m e 3h55m. Pelo menos igual a Buenos Aires.

Até lá - 25 de setembro -, tem muito chão pela frente.

Entre minhas próximas provas, enquanto eu ainda posso pegar leve, estão: Abertura do Circuito Corpore (13 de março - 12k SP); Corrida de Montanha (26 de março - 12k Paranapiacaba); Corrida da Ponte (17 de abril - 21,3K RJ); Volta a Ilha (30 de abril - revezamento Floripa).

Minha filha, no ano passado, em Berlim: "A cidade é linda, mãe. Você tem que ir!"


Escrito por Yara Achôa, jornalista às 16h27
[ ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 


I D E N T I D A D E

Yara Achôa

jornalista e corredora



E M A I L
yara.achoa@uol.com.br


M S N

yaraachoa@hotmail.com



T W I T T E R
@yaraachoa




Histórico


    Votação
    Dê uma nota para
    meu blog



    Outros sites
     UOL - O melhor conteúdo
     +Corrida - RODOLFO LUCENA
     Chegada - REVISTA VEJA
     Artigo Definido - VICTOR
     Correr é Viver - JACKE
     Corredor de rua - NADAIS
     4 Corredores - MARILDO
     Jorge Maratonista - JORGE
     Just Run - LUCY
     Vou e Volto Correndo - VLADIMIR
     Gladson Alberto - GLADSON
     A minha corrida - CARLOS
     Vivendo e correndo - REGIS
     Marcio Villar Ultramaratonista - MARCIO
     3 em 1 - THIAGO
     Blog do Harry - HARRY
     Correndo na Chuva - BRUNO
     Correr é Meu Vício - RICARDO
     Corrida de rua FPA - VANDERLEI DE OLIVEIRA
     Corrida pra Sempre - FABIANA
     Em Movimento - FLAVIO
     Lazer e Competição - LUIS AUGUSTO
     Looping Infinito - MARCOS
     Ms Harkins - HARKINS
     Porque eu corro - EDUARDO
     Puc Runners - BAYAN E MARCIUS
     Run For Free - RICARDO HOFFMANN
     Running Kitigai - MAYUMI
     Voz do Avesso - ANA
     Where the streets - GIOVANA
     Além Virtual
     Corre Comigo FÁTIMA
     Diário de Uma Corrida LÉNIA
     Maria Sem frio Nem Casa MARIA
     Palavras de Corredor ANTONIO
     Pernas Pra que te Quero JOSÉ CAPELA
     Six Assessoria Esportiva
     Marcos Paulo Reis - MPR Assessoria Esportiva
     Meu Fotolog
     Arquivo de Corrida - FABIO
     E-Corredor - PAULO MASSA
     Correr é bom - SAMUEL
     Run-is-fun -MIGUEL PAIVA
     4 run - VALTER